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Oração.

Essa maré de anátemas, que envio aos Serafins
Essa coisa obscura, que chamamos de vida
Essas enzymas da publicidade, essa mentira
Que nos atiram na kara todos os dias
Essa felicidade de comer o pão com margarina
Se você tiver pão.

O tempo que não para no porto.
O porto e suas pedras no cais.
Um mártir e sua luta inglória
Sinfonia maravilhosa, sem dúvida
Para um deus que não escuta.
A súplika do mundo, quanto sangue custa?

Raça de Abel, raça de Caim
Enquanto um come e dorme feliz
Outro morre de fome, arrastando infeliz
Seus filhos na lama, miseravelmente.
E deus parece não ver, sob o seu nariz,
Que os dois são filhos do mesmo ventre

A ação não é irmã do sonho
O sonho não corresponde à realidade
A realidade é a tentativa de um escritor
Ser autêntico, roubando Cervantes e gritando:
Jamais escreveram o que escrevi,
Se não tivessem lido o que foi escrito antes.

Raça de Abel, teu sacrifício
Elogia o Serafim
Raça de Caim, teu suplício
Jamais terá um fim
Se mijo o sangue do crucifikado
É porque simplesmente eu não tenho um rim.



Escrito por Paulo de Tharso às 01h23
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Começa em breve haver meia-noite
E com ela começa um quase sossego
Como se tudo fosse dormir
menos a dor que há em mim.
Vou à janela e não vejo estrelas
Minha cidade é assim, sem estrelas
Mas escuto ansiosamente os ruídos das ruas
Os duplos passos do andar de cima
Alguém que grita, uma garrafa que quebra
Um cão que uiva pra lua, que reina sozinha
Em um céu sem estrelas
Eu velo, sonolentamente escutando
a dor que há em mim.
Eu fico esperando, um sei lá o quê
antes que eu durma.
Qualquer coisa, que grite mais alto
do que a dor que há em mim.



Escrito por Paulo de Tharso às 00h30
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Meu bem
               (letra sem músika)

Se alguma coisa foi por que que não é?
Ser não é ser, então por que a questão?
Alguém tem a chave da porta do ser
Que possa abrir com razão
A inteligência do mundo?

O meu amor é profundo
Mas não é fecundo
O meu amor é profundo
Mas não é fecundo

Eu me enganei com a juventude perpétua
Vivi de sensações, de amores sem trégua
De tanto querer ser e por não haver de ser
Eu deixo sem lamentar, de lado o bem querer
Eu deixo sem lamentar, de lado tudo o que é ter.

O meu amor é profundo
No fundo é vagabundo
O meu amor é profundo
No fundo é vagabundo

Paulo de Tharso



Escrito por Paulo de Tharso às 23h07
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1º de Maio

É bonito usar da palavra na luta de classes
Klamar alto e bom som pela luta das massas
Levantar bandeiras vermelhas ao som da Internacional
É bonito a propaganda: Brasil, um país de todos!
É bonito flanar em plena terça-feira
E não pensar que a puta da direita espreita, de mãos dadas
com a esquerda vendida.
É bonito pensar que a vida é a propaganda da Petrobrás
E que tudo está na paz de Deus.
É bonito dizer que não há nacionalidade
no espaço mental, quando Glauber Rocha
gritava Terra em Transe.
É bonito esquecer o sangue derramado
para que existisse o 1º de Maio.
Quem ousará o distanciamento Brechtiniano
Quando todos querem um pedaço da Rede Globo?
É feio citar revoluções e flores pisoteadas por canhões.
É feio cantar Mrs. Robinson sem nenhuma emoção.
É feio comemorar o dia do trabalho sem a liberdade
de um cigarro que a gente, sem gravata, não fuma mais sob a sombra
demokrátika.
É estranho rezar o pai nosso sem o pão na mesa.
É bizarro não saber mais em que ano estamos depois de 1984.
É bonito falar em Estado de direito, quando só resta o Estado
policialesco.
Parabéns trabalhadores! Escravos do Estado sem nenhum direito.
Que dia glorioso!
Viva Getulio Vargas e o teu salário mínimo!

Bonito mesmo são os olhos desse menino
querendo ser Villa Lobos.













Escrito por Paulo de Tharso às 05h10
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Tradução.


Meu trabalho de ocasião
Meu problema? Metalinguagem.
Do significado para o significante
Do texto para o contexto.
Passar do sema para o lexema
Do semema para o classema
Do léxico pra a sintaxe
( nego essas traduções digitais)
A tradução automática, mostra claramente a desimportância
do léxico.

Por isso fico com as alegrias não medidas
E com as peles não extorquidas
Ontem, conversando com meu amigo provocador Mário Bortolotto
E minha perseverante mulher Adriana Brunstein
Concluímos que as melhores Histórias
São as ininteligíveis.
E que os melhores conselhos, são os inexeqüíveis.
Artes, as não rendáveis.
Críticos, os enterráveis.

Antes dessa conversa
Em outra mesa, num outro sonho,
Com outro amigo não menos provocador, Marcelo Mirisola
Afirmamos que os melhores inimigos são os sensíveis
E que os únicos amigos são os incorruptíveis.
Por isso, decadentes louvaminheiros;
Deixem as mensagens para os mensageiros.



Escrito por Paulo de Tharso às 02h55
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Desalento

Eu deixei meu coração em tuas mãos
E isso não se faz
Eu estraguei minha juventude
Em noites vazias, cheias de argônio
E sonhos delirantes
Eu bebi todo o mar
Na esperança de aproximar os continentes
Fui devorado pelos percevejos
Enquanto fugia dos tubarões
Desafiei os deuses pagãos
Que foram os primeiros cristãos convertidos
Resmunguei canções populares
E blasfemei orações nas calçadas
Fazendo o sinal da cruz
Convivi com sugadores de sangue
E falsificadores de idéias
Que usavam máscaras douradas
Da razão pura, para enganar trabalhadores.
Muito ler os olhos cansa
Não fiz economias para os piores dias
A guerra é demasiado cara
Mas a América não se importa
Se há crianças em minas de carvão
Atrofiando sua musculatura
O belo tempo da infância não dura
E definitivamente, não é com bombas
Que um menino cresce.


Escrito por Paulo de Tharso às 16h55
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E depois do kaos inicial,

após o colapso dos sites, será construído um palácio de krystal*

( alusão ao romance Que Fazer?, de Tchernichévski).

Então...Bem, numa palavra: então seremos visitados pelo pássaro azul.

Evidentemente não se pode garantir que nesse tempo não será,

por exemplo, terrivelmente aborrecido

(porque, o que haverá para fazer, se tudo estará distribuído numa tabela?),

mas, em compensação tudo será extremamente sensato.

Evidentemente, o que não inventamos e inventaremos por puro tédio?

Já temos os BBBs, as redes sociais idiotas,(teremos?)

os sites pornôs para os quiromaníacos de plantão e para os que tem medo de Sífilis,

de Herpes, de Kancro duro, Kancro mole, da AIDS...

Inventaremos o milagre via TV.

Basta estar na sala ou no quarto, para que...

Toda doença seja curada!

Todo mal seja afastado!

Uma mão ao céu e outra no órgão genital de sua preferência.

Teremos a TV com cheiro. O pobre poderá sentir o buquê do vinho branco,

enquanto aprecia o perfume da lagosta tremidor, que as loiras e morenas provarão.

Não é fantástico?

 



Escrito por Paulo de Tharso às 13h57
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Eu protesto

Eu protesto contra o estado das coisas/
Contra as coisas do Estado/
Contra o Estado/
Eu protesto contra o protesto/
Contra o estado em que se encontra o protesto contra o Estado/
Eu protesto contra a palavra do lavrador/
Contra palavrador/
Eu protesto a contra-mão, na esquina da Consolação/
Eu protesto contra o verso/
Contra o reverso da medalha em teu peito/
Verso a vida/
Verso a morte/
Vide o verso/
O reverso/
Eu protesto/
Contra a conversa viva e a rima com efeito/
Eu protesto contra o kaos/
Contra as pedras no kais da partida/
Contra as pedras no kais da chegada/
Contra o nada/
Contra tudo/
Contra o vento/
Eu protesto contra os azulejos e desejos na parede da memória/
Eu protesto contra o Arabesco e pelo fato da minha vida não dar uma boa história/
Eu protesto contra o teu regime/
Contra a chuva na praça D. José Gaspar, quando a gente tá afim de se esbaldar/
Eu protesto contra o silêncio que faz o vizinho não reklamar/
Eu protesto no meio da rua contra a lua que rima com minha infelicidade/
Contra a crueldade do riso do meu amigo Bortolotto/
Que não quer prosear com a lua/
Mas que gosta de ratos que avisam que o queijo tá perto do fim/
Eu protesto contra toda atividade kapital/
Contra o diabo que faz kaza no meu quintal/
Contra a rosa no meu jardim/
Contra o sol/
Contra o vendaval/
Eu protesto contra minha vida perdida por amor ao kaos/
Contra minha vida perdida nas mãos do menino que tocou o tambor/
Eu protesto contra a arrogãncia das atrizes ficoti-fricota/
Contra a beleza que irá akabar/
Contra a porra dessa dor/
Contra Nosso Senhor que se deixou crucifikar/
Eu protesto contra o existir, assim que tudo akabar.



Escrito por Paulo de Tharso às 17h29
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 A europa Pronta para virar Geléia (texto de Janeiro de 2011 Para Artigo 5º)

Na edição 3, Julho e Agosto de 2008 da revista Artigo 5º, eu debutava aqui como colaborador. O nome do artigo era Maio de 68- 2008, 40 anos depois. Os últimos acontecimentos na França, só fortalecem o que escrevi. Não obstante a França atinge a Inglaterra e assim por diante. No artigo em questão eu falava entre outras coisas, que na época ( Maio/68) a situação de certa maneira era menos violenta. Havia sim brigadas,  barrikadas e lutas nas ruas. Mas tudo era muito bem coordenado e havia a participação de artistas, professores e intelectuais. Por exemplo: Em Maio de 68, Michel Foucault, que lecionava na Universidade de Tunis, recebeu um telefonema de Maurice Clavel, que era da administração pública que lhe diz: __ “Michel, os estudantes estão revoltosos. Todos marcham para Paris”. Ao que Foucault responde: __ “Não, você se engana; Eles são a revolta!” Agora, a realidade é outra. É globalizada.

Ao final de 2010, na França, tudo está diferente. É claro, o que aconteceu em 2010 foi apenas uma onda que deverá crescer com o passar do tempo. Olhem o que escreveu o  jornal “Liberdade Estudantil”:

 

 “... Trabalhadores e estudantes recolocam hoje a real democracia nas ruas e nas barricadas do país da grande Revolução Burguesa”. A situação política na França não cessa de se aprofundar. As mãos duras de Sarkozy ou amolecerão cedo ou tarde, ou se verão compelidas aos estilhaços e a derrota do regime endurecido será histórica, se o movimento logra superar no programa e na prática suas “direções históricas”.Apesar das direções reformistas, trabalhadores e estudantes tem impelido a burocracia a ir por mais. A confiança do “sincero” intelectual orgânico da burguesia, Alain Minc, “Tenho a sensação que estamos em uma coreografia onde cada um joga um papel com muita responsabilidade porque os sindicatos na França são muito responsáveis. (…) Nunca poderemos esquecer o papel que tem jogado no pior da crise e eu penso então que esta coreografia não terminará com um enfrentamento insuportável” (diretíssimo), só pode ser relegado ao lixo histórico pela força das massas e suas vanguardas conscientes. Assim o ultra-adaptado Partido Socialista, que votou no parlamento a reforma das aposentadorias, foi forçado pelas massas a se colocar agora publicamente pela revogação da reforma anti-operária, não por princípio socialista, mas aproveitando-se de um possível profundo desgasteSarkozy, com vistas às eleições presidenciais de 2012.  A lógica das direções tradicionais com o CGT e CFDT de conter os trabalhadores por via das já mais acostumadas greves gerais de um dia, lógica à qual também o regime burguês confia profundamente e joga suas fichas como forma usual de contenção, tem sido superada pelo impulso da real força que vem de baixo. Os sindicatos burocratizados, que se neutralizaram como ferramentas históricas para o combate da classe operária nas mãos das cúpulas sindicais, poderão agora ser compelidos à dança e se afastar de seus métodos de diálogo social a fim de manter qualquer nível de controle sobre as massas. As greves gerais por tempo indeterminado se adiantam em setores chaves da economia, como as refinarias, portos, os transportes e chega inclusive a se generalizar por setores inteiros em algumas regiões. Os chamados a essas batalhas se multiplicam. Mesmo as lógicas burocráticas de direção das centrais sindicais, com assembléias por setores, reforçando o corporativismo, vêm sendo em pequeno por ora, quebradas por Assembléias Gerais de diversos setores, onde atuam conjuntamente trabalhadores públicos e privados e estudantes secundaristas e universitários ...”

 

Por outro lado, em 2009, o jornalista Bernard Umbrecht, escreveu sobre “A memória apagada da Alemanha Oriental”.

O que me chamou a atenção no artigo é que os alemães, ao buscarem uma identidade nacional, passaram e passam o tempo todo por uma obsessão em recuperar o passado judeu e o Holocausto, ao mesmo tempo em que apagam com ferocidade de tubarão o que existia ao leste do Muro de Berlim. Esse esquecimento proposital concerne tanto à polytika e à cultura quanto à sua infra-estrutura industrial e científika. Nesse mesmo ano, o Parlamento alemão encerrou um concurso para escolher um monumento nacional que simbolizasse “a unidade e a liberdade”. A iniciativa fora um frakasso total: nenhuma das mais de 500 propostas apresentadas por artistas e arquitetos convenceu. “Pois essa dificuldade em encontrar um símbolo unifikador é um problema histórico da Alemanha”, afirma Enzo Traverso, professor da Universidade Livre de Berlim. Na Europa Oriental, os grupos da direita radikal se erguem tanto contra a nova onda liberal, como contra o socialismo de Estado que a precedeu. Outra característika, relacionada a uma ideologia abertamente pré ou antidemokrátika dessas correntes, ao contrário de suas equivalentes ocidentais, é que elas gritam e apregoam a plenos pulmões sua nostalgia pelos regimes despóticos de tempos passados, junto com seu dominante conceito ético e territorial de “identidade” nacional. Talvez seja verdade que o Leste Europeu tenha deixado raízes profundas do totalitarismo espalhadas pelo continente na dékada de 30. Nesse ponto é bom considerar que também, talvez, os Anarquistas em oposição à Sartre, tivessem razão ao dizer que o Comunismo era e seria a anti-sala do autoritarismo fascista.

Quem assistiu ou vier a assistir ao filme “ Adeus Lênin!”!,  de Wolfang Becker pode pensar ou ter pensado que esse excelente filme com muito bom humor, retrata toda a verdade tragada pelos habitantes da RDA,  após a queda do Muro. Não. Aquilo foi apenas uma breve visão, uma primeira impressão débil das terríveis conseqüências ao final da década de 80, mais precisamente 1989. George Orwell soube nos dizer muito melhor em seu livro “Nineteen Eighty-Four”, escrito em 1949, o que viria acontecer. E ainda, como esquecer de que 17 milhões de alemães viveram uma outra realidade por 40 anos atrás do muro?

Em todas essas correntes podemos observar a dessimetria manifestada entre Leste e Oeste em termos de organização. Adeptas da violência, essas organizações compartilham em maior ou menor grau, através do Continente, do mesmo desdém pelas eleições e a polítika institucional, as mesmas tendências racistas e o mesmo culto ao homem forte. Na Polônia, algumas centenas de ativistas se reúnem regularmente  em várias cidades, cujas paredes são cobertas com pichações fascistas e antissemitas. As juventudes Polonesas, afiliadas até 2006 à LPR, são famosas por sua violência. Assim como a repúblika Tcheka. Na Hungria, o movimento Skinhead contava (na dékada de 90), com mais de 4000 integrantes. Na Rússia este último grupo conta hoje com mais de 50.000 manifestantes e/ou simpatizantes. Se formos enumerar, eu não terminaria este texto. Teríamos de passar por todo o continente, e juntar todos os grupos violentos aos demais, como por exemplo, os grupos adeptos ultraortodoxos  de Alexander Dugin ou os militantes xenófabos do Movimento Contra a Imigração Ilegal (MITI). 

 

 Hoje são fatos, e a direita radikaliza na Europa. Não há dúvidas sobre isso. É só olhar para a Historia do século XX e constatar que a fecundação in vitro foram e são o general Franco (1939-1975) e Benito Mussolini(1922-1943). E reparem; a Espanha e Itália têm hoje, a direita fascista no poder. Na Espanha, a transição demokrátika deixou espaços reduzidos para os partidos que reivindicam sua filiação ao franquismo. Também é fato, eles conservaram uma influência nas forças de segurança, ensaiando até mesmo uma tentativa de golpe de Estado militar em 23 de fevereiro de 1981. E, liderada por Manuel Fraga, antigo ministro do turismo e da informação de Franco, a AP ( Alianza Popular) logo se tornou a principal força de oposição do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), no poder de 1982 a 1996. A ideologia franquista foi revitalizada.

 

Gritante

 Na Itália, uma das conseqüências mais notáveis da “anomalia” berlusconiana concretizou-se na afirmação de duas correntes aparentemente bem diferentes: a “pós-fascista”, na pele do atual presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, e a “separatista”, da Liga do Norte, liderada por Umberto Bossi. Claro, não há coincidência! Afinal, o partido que surgiu das cinzas do fascismo do pós-guerra_ o Movimento Social Italiano (MSI) _ escapou do gueto no qual a Primeira Repúlika  o confinou, no momento em que Silvio Berlusconi baixou no Terreiro. E esse longo namoro entre esses dois partidos teve seu noivado com a fundação do Povo da Liberdade (PDL), único partido de centro-direita.

Dentro dessa geléia, alguns observadores insistem na”sinceridade” da guinada demokrática de Fini (que colidiu com a figura do poderoso chefão), que vai desde a troca de pele, abandonando suas antigas roupas ideológicas, em particular os preconceitos antejudeus e próarabes, típicos da direita da península, até o doloroso divórcio da mulher exaltada que ele havia encontrado no tempo da sua militância fascista. Mutação tátika, isso sim!

O que se observa é que em 20anos, a Confindustria , a organização patronal italiana, alternou de maneira oportunista

o seu apoio entre o “moderado” Romano Prodi ( que ela prefere ) e o “extremista” Berlusconi __ que ela suporta kada vez menos __ . E, lamentavelmente, considerando a incapacidade de um plano de ação da esquerda em oferecer alternativas dentro do quadro neoliberal, parece que, daqui para frente, as escolhas serão feitas pelas mãos da direita.

Por isso devemos estar atentos aos movimentos estudantis da França. Talvez apenas a pena da História seja a únika saída. Liberté et Fraternité, citoyen!!



Escrito por Paulo de Tharso às 19h26
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Eu falo Português!

É um tal de ...Né!?
Língua de Zé Mané
Mas in the bed
Ela é meu travelling
Eu tento com she
Meu best seller
Às vezes, até faço meu planning
Pela manhã
After shaving
Eu tenho um flashback
Se she num aparece
Eu não esquento
Because eu sou seu parking
Seu one man show
Seu barato, seu King
Ela é minha starlette
Petite fillette
E ela é very good
Where are you
Meu hollywood ?
She´s my baby
Quando a gente dança
After hours
Ao som do tea for two

Eu falo português
E isso é um prazer
Ok?

É um delírio
Empire of dreams
Nada mais qu´um flash
Às five o´clock
In cinemascope
Eu sou seu jockey
Eu sei drive her
She´s minha darling
E ela está sempre alí
Prèt à porter
Sous de tompêtes
Ma serviette
Dont ela sempre carrega
One kleenex
Para limpar
Una gotita
De la nicotina
Sur meu pall mal
E quando vem o black out
Eu smash
Em fade-in
Fade-out
Sua sintaxe

Eu falo português
E isso é um prazer
Ok?

Oxupã in the sky
Comigo virá
Trasnochar
Et elle et moi
On fera
L´amour das feras
Soy navegador
Ella navegante
La luna continua
La lengua
Vuelve espuma
La muerte que se acerca
À côté de moi
Pero, dame una perra
De módo d´agente bebe na bodeguita
Uno porrón de vino
Para después, mas adelante,
Hallar una chiquita hermosa
Por quién voy apasionarme
Pero, antes de partir para siempre
Sin deplorarme
Yo advierto vosotros
Que eu não abro mão
De hablar de la chiquita
Sleeping na rede
Parler portuguais
E isso é um prazer
Ok?


Escrito por Paulo de Tharso às 23h33
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Imre Kertész

O verdadeiro Prospector.      

(Prospector: indivíduo que conhece e indica terrenos metalíferos).                                                                                                                                                                                                                                

 

É sabido que os escritores húngaros são complicados. E se é judeu, sobrevivente do Holocausto, é ainda mais complicado. E se é judeu, sobrevivente do Holocausto e filho da ditadura stalinista, aí o resultado é um vácuo que atordoa mas que tem origem clara: o peso do totalitarismo na vida húngara. E ser um escritor húngaro e errante judeu, é estar sempre em fuga, em transito, num exílio sem fim.Mas não vá pensar que ao ler Imre Kertész o leitor irá encontrar uma literatura ideológica profissionalizada , armada, engajada, ou de confissão. Não, não neste livro. Nas 176 páginas do romance Eu, um outro, o escritor segue depascente e despassa a si mesmo, ao desmascarar a fragilitate humana. Creio que Rimbaud não duvidaria nem tampouco questionaria isso porque, do seu verso; EU É um Outro, Imre Kertész extrai uma história que coloca em xeque-mate e abala os alicerces da ficção, desestruturando seus fundamentos com terremotos na alma. É a falência múltipla do estado geral do gênero. Um verdadeiro colapso. Sinto-me particularmente compelido a essa viagem, porque estou escrevendo (na verdade sofrendo de) um romance que me tira o sono, a paciência e muitas certezas. Estou aprendendo que escrever um livro com múltiplas identidades pode ser uma armadilha perigosa para o leitor e uma tarefa fatigante para o autor. Armadilha, porque cria labirintos cujas saídas são abismos, e perigoso no sentido em que um autor, ao entrelaçar identidades, pode criar uma zona de sombras que, em vez de estabelecer e determinar caracteres (e aqui quero dizer das individualizações), os desmaterializa, os esfuma e os lança sem piedade ao vazio. Só mesmo com muito tino, habilidade aguçada e tenacidade pode o escritor manter esse ritmo alucinado e chegar a resoluções críveis.  Para Kertész os escritores são atordoados pelo vazio e assombrados pela escuridão.

Não, caro amigo, não é o papel que deixa em branco o que não é, o que perturba um escritor. É a escuridão. Kertész nos mostra isso e nos alerta: “O escritor deve evitar tornar- se espirituoso quando não achar mais o que dizer”. 

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 19h46
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Amargo

 

Não faço parte de nenhuma confraria. De nenhuma kaza de cultura. Nenhum zoológico urbano me tem em sua jaula. Não faço parte de nenhuma kasta, de nenhum partido. Não faço parte de nenhum círculo de leitura. De nenhuma organização não governamental. Não faço parte de nenhuma turma. Não tenho laços, não tenho pretensões literárias ou musikais. Não amo ninguém e naturalmente não tenho quem me ame. Não tenho posses nem patrimônios... tenho demônios. Não tenho ninguém para quem voltar e ninguém que volte para mim. Eu tenho muitos conhecidos, mas nenhum amigo. Digo bom dia, boa tarde e boa noite e me respondem no mesmo tom. Tenho a lua como parceira e não é toda noite que ela comparece. Tenho o sol como inimigo mortal e o mar como uma ameaça constante. O céu é meu telhado e convivo com um gato em minha kaza. Tenho algumas canções e nenhuma partitura. Não tenho nada! Não deixo filhos nem saudades. Não deixo herança nem maldades. Não tenho esperanças, só doenças. Minha matéria é a ontologia. Tem uns kanalhas que me enchem o saco, mas por serem uns kanalhas,  saber isto me basta! Duda Leon; isto lhe kabe como máskara, velho covarde, cujo nome verdadeiro esconde sob esse pseudônimo ridículo! Fui expulso de todos os lugares porque sou inadaptável. Tive muitos amores e tantos desenganos, que perdi a conta. Envelhecer foi meu kastigo. Tornei-me triste, amargo e ressentido. Não ando com ninguém e ninguém anda comigo. Escrevi alguns romances que roubei por aí. Tenho arriskado um novo que provavelmente ninguém irá ler. Tenho vontade de não mais ser, porém, a covardia me obriga a permanecer. Tenho um irmão que não encontro jamais. Um velho pai que se preocupa demais, quando deveria descansar. Uma velha mãe que me lembra sempre da morte. Não tenho sorte. Kaminho sem vontade e sem vontade eu vou aos lugares que me restam. São poucos. Sou desastrado et mal à droit! Sou obrigado a trabalhar para sobreviver. Sou obrigado a viver. Rasguei a maioria de meus escritos e queimei muitas letras de canções. Um tributo a Saturno que devora seus próprios filhos.

 

 E você que agora me lê, já deve saber que deveria ter pousado os olhos em outro lugar. Afinal, do que vale esperar algo de alguém? Eu não espero mais nada de ninguém.



Escrito por Paulo de Tharso às 20h54
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leminski

      Buscar a verdade é buscar sempre. Sem amigo e sem mestre. Neste meu mundo não admiro ninguém, exceto os poetas, que em meu mundo, quase não existem ou passam despercebidos. Sim, os poetas eu respeito. Em sua maioria morrem de fome e esquecidos. São, em sua maioria, contraventores natos. Armados de palavras, essas armas poderosas, fomentam revoltas, incendeiam ministérios, derrubam governos e fuzilam ditadores. Com suas indignações despertam  os oprimidos, seduzem os poderosos e transam com suas mulheres. Elaboram a politika do desespero e inventam uma equação prodigiosa, em que a desordem é a ordem menos o poder. Sim, que maravilha ter o poder de reinventar a ordem dos fatores e adulterar o produto. Vagar por galáxias da loucura e voltar com seu substrato. Ah, estes desgraçados maravilhosos!



Escrito por Paulo de Tharso às 18h38
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  • Époka Sem Nada de Épico

        Eu fico aqui, entre a tradução de um livro de direito francês e a tela em branco, batucando os teclados em buska de algo novo. Escrevi: “épokas débeis mentais”. (Tava pensando num tal de Dudaleon , a quem eu chamo de Candinha porque sei lá o nome verdadeiro do energúmeno). Claro, não há nenhuma novidade nisso, não é a descoberta da pólvora. Hoje, depois do almoço com Mirisola, enquanto tomávamos um kafé, falávamos que épokas são assim: mais inteligentes, menos inteligentes, mais rikas, mais nobres, mais pobres, menos nobres, mais romântikas, menos beligerantes... Não há como negar que os séculos XVIII e XIX foram séculos de grandes escritores e artistas.

Pense em Honoré Balzac ou Victor Hugo. Baudelaire, Machado de Assis, Villa Lobos ( nascido em março de 1887)

 e uma pancada de escritores e músicos e pintores e escultores de peso, que viveram nesses séculos! Escrevo isso, enquanto o som de um saxofone adentra minha janela. Em tempos de Rock no Rio, dá pra sentir algum akalanto. Mas, voltando às épokas, também acredito que houve até a metade do século XX, grandes pensadores e artistas. Mas ali, ah...,  ali não sei! Penso que aconteceu a mordida do que Mao Tse-Tung (nenhuma simpatia pelo ditador) chamava: a mordida do tigre de papel. A bomba atômika. A bomba mudou tudo, acelerou tudo. A idade da eletricidade ficou tão para trás quanto a idade da pedra. Esta é a idade do poder. É a époka da perversidade, époka suicida, homicida. Nada heróika. Époka da debilidade mental difusa, volatilizada, atmosférika. E há uma coisa absurda; a maioria age e reage como débil mental. Não que o sejam, não, absolutamente. Tem muita gente inteligente, sábia, clarividente; e tem karater, sensibilidade, etc, etc... Mas, para sobreviver, coexistir com os débeis, o kamarada tem que ir ao fundo do poço, entrar no mangue do pensamento, ir ao rodapé da humanidade, e, no seu quintal, enterrar a arca do seu tesouro. Tá phoda, kamarah! Essa é a époka do poder a qualquer custo, puro e simples poder. Desajustamos tudo. Ah, o freio!... Continua no mesmo lugar? Será que ainda funciona? Claro que não! O centenário bondinho de Santa Tereza provou que não! O diabo rompeu as amarras, “deletou” o sim e fez baixar o não. Não dá pra pedir a opinião de Dostoievski ou Gorki, porque eles simplesmente não existem em nosso século XXI. E, muito provavelmente se existissem, estariam na fila do INSS ou debaixo de uma marquise qualquer fumando crack. O melhor lugar para um gênio hoje é a sarjeta, ou lavando pratos, ou katando latas, ou robando para comer... Explico. A sociedade baniu os gênios. Como assassinou os poetas e como irá abafar os escritores. O pensamento não interessa! Não dá poder! Não o atrai! Não tem força de persuasão como tem a bomba, a grana, a tecnologia... A idéia desapareceu. Volto a repetir: Vivemos numa époka épika sem mais nada de épico!

 

Bom, agora é melhor que eu volte à tradução do Estado de direito, que é o que me dá o sustento. Peço desculpas ao leitor deste blog, mas é que eu detesto jogar paciência no computador. __ Ô João Sparano; como é mesmo? ... Você é da époka da Intranet, né? Pois é... Vai explikar isso aos navegantes débeis?! Aliás, não fosse você, eu estaria na ignorância até hoje.



Escrito por Paulo de Tharso às 15h47
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Eu entrei e parei. Devia ter uns seis anos ou sete. Da porta entreaberta, fico olhando meu tio bêbado; eu estou perplexo. Meu tio me vê, e sem tirar os olhos de mim, puxa uma caixa de fósforos. Riska o primeiro e fika olhando a chama. Depois diz... "Vem ká, vem ká... Sua kara é a do demônio. Pensei que ele queria me queimar os olhos. Eu fujo. O horror do bêbado me feriu para sempre. E a kada copo que entorno,  lembro-me disso. Nunka mais parei de beber. Não fui de novo ao Grea. Mas ele era um kara doce. Às vezes me levava ao cinema, comíamos pipokas e balas. Mas na saída, sempre havia um bar, e ele instintivamente caminhava para dentro. Bebia uma, duas, três kachaças e ia se esquecendo de mim, com uma tubaína na mesa. Pedia um sanduba de salame com queijo para mim, e mais kachaça pra ele. De repente, o tempo fechava e ele começava a quebrar o bar e a kara. Eu me encolhia num canto até que alguém sempre me tirava dali. Morreu de cirrose, entrevado nos braços da minha tia Neusa. Foi triste de ver meu tio Alberto morrer assim. Quando penso nisso, tremo por dentro e temo por mim e por meus comparsas de copo e de kruz.

 

 

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 15h06
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