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Cova Funda

 

Gosto de letras de músicas. Gosto das palavras e de seus sons. Gosto de Tom Zé ,  Zé Mané! E daí? Isso irrita? Você se irrita com tão pouco, não é? Não se irrita com a vida banida de seu verdadeiro lugar? Nem com a criança feia, fraka e faminta, cheia de pereba na kara suja, deskalça e nua, cheirando cola, éter e benzina? Ah, eu sei, eu sei...  Isso é só a vida, não é? Mas você colokaria na kapa do teu disco a kara dos anjos sujos, não é?

 Tampouco desgosto de Melodia, nem da menina despreocupada, falando bobagem, vendo a hora passar, de bobeira. Tão boba,  quanto o menino que pensa que pensa que é. E o verbo ser, no presente na terceira pessoa do singular do indikativo é tão frágil como esse um segundo circunstancial,  não é? Quero dizer; pertinente mas não essencial, entende?

Mas tudo bem... Eu também já fui menino, ou pensei ter sido um dia. Tudo é tão inverossímil, não é mesmo? Inclusive essa vida que eu não escolhi para mim. Mas no final, você entenderá que kada hum cuida de B, ou de C, Dm, E, FM, G, A#, ou simplesmente de si mesmo, certo? Notas são apenas ondas vibrando no ar, mas se eu as juntar, materializo uma harmonia e aí quem sabe? Faz tempo que não componho nenhuma kanção...

 Gosto da voz da compositora atriz, sussurrando em meus ouvidos “Don´t you dare/ Interrupt the Wite Hause ball/ We´re living scared/ It´s in foreing fields the soldiers...” e ela só tem 22 anos e é linda, e eu continuo kavando e vou com sua voz até o extremo oeste do Sudão, em Darfur, só porque lá os conflitos não se diluem com gelo, me diz a lindaStone em minha orelha de Van Gogh que não te escuta mais. Platão já conhecia a existência das coisas que são belas por si mesmas e que fornecem um prazer puro que não aquele da cessação da dor ou aflição. Então, meio triste digo a ela pelo ar, que infelizmente “Pictures of starving children sell records”, ou algo perto disso e sigo kavando o ar.

Hoje me flagro diante do espelho olhando e ouvindo o ”velho”,  tentando em vão descobrir as possibilidades que essa palavra me oferece. No ar eu não me deitarei espremido. Por isso o ar eu kavo.

Como dizia, gosto das palavras. Gosto de escrever kaza com k,  porque assim me parece o som da palavra que traduz o que eu não tenho.

Como eu afirmava, gosto das palavras. Com elas, karrego para dentro do buraco que kavo, banimento voluntário, isolamento e solidão. Eu produzo as palavras e elas me arrastam com enxadadas primitivas para uma cova muito profunda que eu ainda tento eskavar. Kavo kada bendito torrão, todo santo dia,  para ter algo que me acolha na derradeira noite fria de minha vida. Talvez por isso eu kave sempre tão fundo, ainda que não seja o chão.

Pois é, eu kavo o ar impalpável e não a terra, porque deitar ali não é apertado.  Ao contrário, é largo. E depois, se tiver de fugir para nunka mais voltar, é muito mais rápido desenkavar, não é mesmo Rubens K? Eu sei que é meio tarde mas eu tive uma idéia pra uma nova kanção...

Perdi, no segundo que akabou de passar, porque tudo passa quando se está dentro de um velho  chevrolet, certo?  

As palavras viram fumaça, viram nuvens e se espalham pelo ar.  Lugar em que é mais fácil pousar.

Tudo nesse mundo vai passar. A noite passa, o amanhecer passa, a vida cheia de tristeza que alguém acha poder diluir com gelo, passa.

Esse mundo _ ainda que eu kave noite e dia_ , eu não aprendi amar. Porque por mais que eu tente, sou tão egoísta, que primeiro quero ensinar o mundo a kavar.

 

  Gainsbur & Birkin           Glauco Mattoso

Quando eu era moleque, e só pensava em múzyka, eu lia e escutava poesia e achava tudo muito inacessível. Por isso preferia fazer letras de múzykas. Anos depois me flagrei no meio de discussões do tipo: Até que ponto letra de múzyka é poesia & outras coisas parecidas . Enfim; apesar de perder-me constantemente nos labirintos das palavras e seus ofícios, pelos meus orifícios superiores as palavras entravam e saiam em meus condutores bizantinos do cérebro e eu fui aprendendo a gostar. O que absolutamente não signifikava que eu sabia (e ainda não sei) fazer & ou inventar...palavras. Mas elas e seus donos, foram tomando forma e cor e cheiro, e finalmente eu fui gostando kada vez mais da brinkadeira séria. Um dia, acho que voltando do colégio Arquidiocesano, um kamarada de classe me mostrou uns poemas de um kara muito louko, que havia saído da USP, e que gostava de transgredir. Quando eu li o poeta eu disse ao meu kamarada: “Nossa (na époka a gente não soltava uma porra qualquer por aí, não! Só se escutasse a Jane Birkin kantando “Je t´aime” do Serge Gainsburg), esse kara aí _ eu continuei_ é muito louko! Ô Torto??!!..(era o apelido de meu kamarada), num entendi nadinha!!” O poeta era o Glauco Mattoso. Remexendo em minhas traças achei este poema, que de fato, por conta da merda que aconteceu com uma guria numa faculdade qualquer dessas esquinas da vida, que foram inventadas na époka da ditadura, me fez rememorar o kara. 

 

Glauco 15/10/2005

 

Não há quem melhor defina

o trote universitário

que um aluno que compare-o

à sadia disciplina

que impera entre gente fina!

Mas lembro que não é só

na USP onde alguém sem dó,

sabe usar o sujeito:

no Mackenzie já fui feito

de capacho e lambi pó!

 

Me recordo do forró

que a veteranada fez

comigo e com mais dois ou três:

nos chamavam de “totó”

e mandavam que no nó

dos cadarços do pisante

nós fuçássemos  bastante

até poder desatá-lo

com a boca e...

 

 

O restante você procura por aí, porque eu acredito em Deus, no Demo e também acho que o crescente número de kazos de kâncer de mamas entre os homens é por culpa da passeata gay. Faça-me o favor!!!!!

Mas isso é para dizer que continua o excelente trabalho de Ademir Assunção, o Pinduca, lá no Sesc Consolação. Bravo, Pinduca!!!

 



Escrito por Paulo de Tharso às 13h27
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Você diz que sempre tive uma vida secreta. Você está certa. Mas esta sempre foi a minha vida. Não há o que dizer. Eu sempre estive no final da fila dos desempregados. Amargando por alguns trocados. Sempre fui o próximo do próximo.

 

Dentro dos meus agasalhos

Eu na frente, atrás o cão

Sigo sempre contra o vento

Sem direção

A tristeza está em close

A lata, a cama de papelão

Eu caminho contra-feito

E me segue o cão

Encouraçados em seus carros

Ajuntados em lotações

O povo espera o chamado, a voz das nações

E o próximo? O próximo é você

 

E a vida segue numa guerra civil em todas as esquinas, apesar dos cânticos bucólicos dos românticos quânticos alcoólicos, que começam a sinfonia num beco sórdido e que fatalmente terminam sem saída. E quando acordam, descobrem... perderam a vida.

 

Viro todos os dias todas as esquinas  de todas as ruas, e sempre que penso numa coisa estou pensando noutra aurora de minha vida nunca descoberta. Merda!

Do outro lado da rua, que encontrei naquela próxima esquina, a mulher definitiva de um outro que não sou eu, passa feliz com os cabelos soltos e pensa que tudo está certo, pois ela está em seu carro amarelo, lá, dobrando a próxima esquina, no seu momento eterno, quando um  bólido vermelho abalroa sua vida contra as pedras da existência finita, e a lança para o trottoir imediato do irremediável cimento cinza.

Ainda bem que ela não era minha.

 

De tão inquieto já não choro

Já na me segue mais o cão

Ele tem olhos famintos

Eu outra direção

Eu também estou seguindo

Mãos nos ombros das multidões

Também espero o chamado, a voz das nações...

E o próximo? O próximo é você

 

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 19h10
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LEMINSKI VIVE

            

 E ainda falando do poeta samurai, tunguei um lance que o Jotabê Medeiros escreveu.

  “Lá pelo dia 15 de dezembro, a família Leminski baixava no meu apartamento no Rio de Janeiro para passar as festas do final de ano. Eu adorava aquela turma do leminski, a gente passava dias fazendo música, escrevendo, bebendo, tocando. Foi um dos períodos mais criativos da minha carreira.
Um dia a gente tava sem fazer nada e resolveu tomar um ácido para animar. Tomamos o ácido e ficamos lá, mas o negócio não batia. virou uma pasmaceira, a gente lá e o ácido não batia. Até que o Leminski levantou e disse, com aquele jeitão dele:
‘Ôrrrra, esse ácido deve ser fajuto! Esse tempo todo parado aqui e nem um verso, nem uma rima?!?’”

Jotabê Medeiros

Pensamento ao final do dia:

"Tire seu pescoço cortado da minha faca".

                                                                Diane Di Prima





Escrito por Paulo de Tharso às 12h53
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 Charge do Solda

 

Vou dar aula de francês nas Clínicas e depois correr pra descolar o que falta pro...



Escrito por Paulo de Tharso às 10h45
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 Hoje tem Brutal

Texto de Mário Bortolotto

Parlapatões

Praça Roosevelt 184

24hs

 E amanhã

Legal! Eu tô com gripe!

É normal, ter gripe. Mas bem antes de apresentar-me nas Satyra´s, porra! E com prótese na boka?

E o pior é que se eu levar em conta que esse vírus é mutante, nem sei qual analgésico tomar, porra! Eu sei que várias vacinas foram produzidas em grande quantidade para tentar “prever” as novas formas de vírus. Mas qual é a que devo tomar agora, faltando menos de 24 hs para apresentar-me, hein??? Tá legal;  Eu li que, de acordo com especialistas fudidos, o risco  apresentado pelas novas gripes está na combinação genética do H1N1 (alto índice de contágio e baixa mortalidade) e do H5N1 (baixo índice de contágio e alta mortalidade).

 A probabilidade é pouca, mas se acontecer justamente quando eu estiver fazendo a peça, amanhã às 00:30, na tenda do Bortolotto, hein? A Zeza Mota vai dizer que eu estraguei tudo! Que eu não percebi a deixa, que eu não decoro o texto e coisa e tal... E o Marcos Loureiro? Sem pensar duas vezes diria;  __ Eu sabia que esse papo que ele tinha parado de beber, era pura firula, sangue bom!  

O Jarbas, criador do texto, então...Nem pensar... “Porra, Picanha... Não acredito que cê fez isso, brother”! E o próprio Bortolotto?__ Isso, Paulo... Continue queimando pontes!  O Mirisola, então: __ Porra, Paulinho!;  Saí da beleza do Grajaú, com vista para artilharia no morro do Macaco, pra ver essa tua sagüisse?

Tudo bem! A probabilidade de essas coisas acontecerem é pouca. Mas se acontecer, o perigo de se fundirem as duas variações seria o de gerar uma alta taxa de mortalidade em um grande número de pessoas. É...Tô falando da doença, porra!

Mas tudo bem! Tô calmo! Amanhã estarei lá!

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 15h31
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OUTRA KOIZA

Vamos Bater O Tambor.

 

  Ontem almocei com Marcelo Mirisola. Entre uma garfada e outra, de um delicioso peixe grelhado, acompanhado de legumes levemente puxados na manteiga, ele me dizia que estava impressionado com o poder de fogo dos dois lados, na guerra do tráfico no Rio de Janeiro. Ele foi testemunha ocular e auditiva, in loco, dos últimos acontecimentos no Rio de Janeiro. Ele até escreveu sobre isso no Congresso em Foco.

 Hoje, numa ressaka dos diabos de tanta coca-cola e chá de cidreira, comecei a pesquisar mais informações para o texto da próxima  edição da  revista Artigo 5º,  e descobri algumas coisas no mínimo curiosas.

 

 O Pentágono redistribuiu as cartas. Um acordo vias de ser finalizado concede aos Estados Unidos a utilização de sete bases militares na Colômbia: Laranda e Apiay (leste do país), Tolemaida e Palenquero (centro), Malambo e Cartagena (litoral caribenho), Málaga (Pacífico).

Uma iniciativa ao menos curiosa, já que a notícia espalhada por Bogotá é a do enfraquecimento e desarticulação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Talvez Álvaro Uribe esteja mentindo sobre esse ponto. Talvez o objetivo americano-colombiano seja bem mais amplo _ as duas hipóteses, aliás, completam-se perfeitamente.

 

  Quem define o terrorista? O narcotraficante? Por enquanto, Washington e Bogotá revezam-se em um macartismo midiático que favorece a globalização das trocas e a explosão dos interesses cruzados entre grupos econômicos e empresas de comunicação. É mesmo um grande show, Mirisola!

 

  O Jornal El País  de 16 de Julho de 2009, “teve acesso” á um relatório do Congresso americano que apontou a Venezuela como um novo “narco-estado”. Olha o trecho do relatório, escolhido pelo jornal: “As agências de segurança norte-americanas detectaram, em 2007, 178 voos provenientes de aeroportos da Venezuela, que se suspeita [é admirável a pertinência da prova], tenham transportado drogas...”.

 

  Em agosto, mês do cachorro louco, outro escândalo surgiu. O governo colombiano denunciou que três lança-mísseis pertencentes ao exército venezuelano foram encontrados nas mãos das Farc. Ok, Chávez e o narcoterrorismo no mesmo combate. Mais tarde, descobriu-se que esse material pertence a um lote de AT4, vendidos em 1988 a Caracas pela firma sueca Saab Bofors Dynamics, cinco dos quais foram roubados por um grupo colombiano durante ataque ao posto militar fronteiriço venezuelano de Carabobo, no rio Meta, em fevereiro de 1995, três anos antes da chegada de Chávez ao poder. Informação que Bogotá conhece perfeitamente.

 

 Enquanto isso e por trás dessa cortina de fumaça, os vizinhos da Colômbia __ nem todos radicais __ inquietam-se com a presença de bases estrangeiras destinadas a lutar “contra o narcotráfico, terrorismo e outros delitos de caráter transnacional”.

O caso é que devemos lembrar que a companhia bananeira norte-americana United Fruit Company, criada em 1899, tornou-se símbolo do golpe na América Central. Ela participou diretamente da derrubada do presidente Jacob Arbenz, em 1954, na Guatemala. Outros tempos?

Em dezembro de 2008, o presidente Manuel Zelaya aumentou o salário mínimo de 180 dólares para 289 dólares. Organizou-se uma verdadeira operação de guerra  contra a medida no conselho administrativo da firma Chiquita _ ex- United Brands . A companhia produz cerca de 8 milhões de caixas de abacaxi e 22 milhões de caixas de bananas por ano. A empresa mexeu seus pauzinhos em Washington, através do Covington and Burling – poderoso escritório jurídico que dá consultoria para multinacionais _, e se juntou ao Concebo Hondurenho da Empresa Privada (Cohep), também muito descontente.

Em outubro de 2006, um outro confronto já havia ocorrido no Equador. O governo questionou publicamente o monopólio que exerciam as companhias Chevron, Exxon Móbil, a nossas e vossas Shell e a empresa local Dippsa sobre a venda e distribuição dos combustíveis, e lançou uma concorrência sobre o setor.

Bom antes da sobremesa, me veio o sobressalto de que a reativação da Quarta Frota Americana, já cruza importante jazida de petróleo offshore recentemente descoberta pelo Brasil.

 

Tudo isso é para dizer que o Marcelo Mirisola tem razão. É tudo Kapital, meu irrrmão!

Pede outro delicioso creme de papaya aí,  e vamos subir o Vidigal.

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 13h47
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Na linha de frente da redução de danos.

 

Aprendi, por experiência própria, a pôr em dúvida a validade da autoridade social, tal como existe hoje em dia, no que se refere a indivíduos que possuam uma atividade artística bem definida. Só quem passou pela avaliação de um psiquiatra e por ele foi katalogado, sabe o que estou dizendo. É inadmissível etiquetar um artista. Os psiquiatras que me apalparam a cabeça para ver se descobriam nela alguma coisa errada, não estavam suficientemente informados dos meus objetivos e valores. Por isso, não reconheço a competência deles diante de casos típicos. Minha luta com as autoridades médicas continua. E agora, tenho ao meu favor a constatação de que não existe mais um consenso mundial sobre a política das drogas. Isso é essencial para que diversas iniciativas pouco conhecidas ganhem cada vez mais espaço nessa briga.

 

Pensamento do dia em homenagem ao Mirisola que está em São Paulo.

 

“Não me queira mal pelo bem que eu não te fiz.”

 

                                                          Ditado Chinês.



Escrito por Paulo de Tharso às 18h24
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Tô esccrevendo um texto novo para a Artigo 5º. É mais ou menos isso.

 Eureka e o primata perante a lei.

 

O mercado de drogas é comandado pela demanda e milhões de pessoas demandam drogas atualmente ilegais.  Os burokratas que constroem  as polítikas sobre drogas têm usado a proibição como uma cortina de fumaça (um verdadeiro fumígeno), para evitar encarar os fatores sociais e econômicos que levam as pessoas a usar drogas. O preço das drogas ilegais é determinado por um mercado de alta demanda e não regulado. Usar drogas ilegais é muito caro. Isto significa que muitos usuários recorrem ao roubo para conseguir dinheiro.

Pesquisas na Inglaterra mostram que quase metade de todos adolescentes entre 15 e 16 anos já usou uma droga ilegal. No Brasil a situação é pior. A maioria das crianças sem estrutura familiar e condições dignas (que evitem que perambulem abandonadas pelas ruas, descalças e seminuas, entregues a própria sorte), cheira cola, éter e benzina entre 5 e 10 anos de idade, marchando doentes para a morte na cadência surda do crack. Tem ainda o racismo, a xenofobia, negócios e moralismo como raízes da atual conjuntura proibicionista. As drogas__ que sempre fizeram parte da cultura humana__ foram divididas em lícitas e ilícitas. 

Os jovens de classe média começam a beber e fumar maconha desde cedo. Evoluem na avenida na ala da cocaína e da heroína, até alcançarem a bateria de seus derivados e chegarem finalmente à apoteose do êxtase em pleno êxtase. Ao final, terminam internados ou morrem de over-dose e abandono.

Na Holanda, onde as leis do uso da maconha são bem menos repressivas, o seu uso entre jovens é o mais baixo da Europa. Dá para entender, kamarada? A proibição não funciona. E mais: A maioria da violência associada  com o negócio ilegal da droga é causada por sua ilegalidade. Será que nosso sistema judiciário, não seria aliviado e o número de pessoas em prisões por envolvimento com o uso e tráfico não seria reduzido drasticamente, se a droga fosse legalizada e controlada?

A proibição estigmatiza, fere e marginaliza os usuários de drogas. Os países que tem políticas ultra-proibicionistas têm taxas muito elevadas de infecção por HIV e hepatite C entre os usuários de drogas injetáveis. É terrível! É grave!E se queremos criar polítikas de redução de danos, devemos saber que estas estarão em oposição direta às leis de proibição.

É preciso pensar com responsabilidade nos direitos. A proibição criminaliza desnecessariamente milhões de pessoas que, não fosse isso, seriam pessoas normalmente obedientes às leis. Legalizar seria restaurar o direito de usar drogas responsavelmente e permitiria o controle e regulação para proteger os mais vulneráveis. Já a proibição tira das mãos dos governantes e dos que constroem as políticas públicas a responsabilidade da distribuição das drogas e esse poder passa para as mãos de traficantes violentos. É aí que tudo desmorona.

Antes, por causa do preço baixo do cigarro, os fumantes não tinham que roubar para manter seu hábito. Mas agora, o perigo é que os contrabandistas de cigarros, farão a festa. Tem a proibição e o preço.  É preciso perguntar para descobrir e entender, a quem interessa andar na contra-mão da discussão da liberalização das drogas, quando praticamente em canetadas obscuras, surgem leis que alteram, confundem e coíbem os fumantes de tabaco?? O cigarro continua legalizado,  paga imposto e não é mais tolerado nos ambientes que os vendem!?

E as bebidas? O alcoolismo não é uma doença? Não causa dependência?Não atinge a sociedade prejudicialmente? No entanto essa droga é legalizada, exposta em prateleiras coloridas, vendida e taxada, consumida por homens, cada vez mais por mulheres e jovens, e a justa permite e ninguém a condena. E ela, a bebida, tem direito a anúncios televisivos e cartazes e pagodes e rocks e loiras e mulatas suadas, com roupas tão mínimas e apertadas que as proíbem de carregarem preservativos nos bolsinhos, tão justas que são... As leis. Há muita hipocrisia e ignorância por aí.

Ora, ao final dos anos 90, mais precisamente em 97, o mercado de drogas ilegais representava cerca de 8% de todo o comércio mundial (em torno de 600 bilhões de dólares ano). Isso só fez e faz crescer passados 12 anos. Sabemos muito bem que países inteiros são comandados sob a influência, que corrompe, dos cartéis de drogas. E a proibição permite também que os países desenvolvidos mantenham um amplo poder político sobre as nações que são produtoras com o patrocínio de programas de controle das drogas.

Gaita!! Isso é  ou não é economia de mercado, porra!

 

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 15h11
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Que o céu nos proteja dos otimistas.

 

Enquanto uns defendem este momento histórico da humanidade como “o encontro da espécie com os limites da biosfera” e outros como “a mais profunda crise jamais enfrentada”,  os aldeões do Congo reivindicam acesso à água e energia elétrica enquanto nós os chineses, comandaremos por lá a instalação de um cabo de fibra óptica que representará um salto tecnológico significativo (?)

 

 

E os romanos nadam no mar de escândalos do poderoso chefão, o premiê Silvio Berlusconi, que oferece aos seus eleitores uma retórica e uma cultura política cínicas e anti-institucionais. Os valores que ele defende são fundamentados em convicções anti-intelectuais e pequeno-burguesas. Não admite nenhum limite ao seu próprio poder.

 

 

Bom, aqui no Brasil... Vamos aprendendo com o Rio de Janeiro, que o breu resulta do esquecimento do pensamento e da falta de verdade.



Escrito por Paulo de Tharso às 14h49
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 Para meu amigo Marcelo

Agora nada lhe resta

Mas ele olha pela fresta, o sol mudo que é bom.

E esse kara tem múltiplos sons sem som.

E sorri o delirante, porque a brisa para ele, é o bastante.

 

Dá nas palavras o nó do impreciso.

Sob o sol de verão se aquece,

Entardece e esquece.

Porque olvidar é preciso.

 

Como quem conta, ele canta.

E se o sol desaparece, evapora.

A lua vem e o provoca e ele não emudece, nem estremece.

Visionário, ele segue.

 

E amanhã para ele haverá aurora.

Pois a aranha do seu destino tece linhas.

Sempre fora um menino,

Dono do mais belo sonido sônico

 

Seu segredo?

Ora!...

É ser Montenegro..

 



Escrito por Paulo de Tharso às 17h34
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 A Pornopopéia de Reinaldo Moraes.

 Não é um livro para ladrões de carro.

"Vai, senta o rabo sujo nessa porra de cadeira giratória emperrada e trabalha, trabalha, fiadaputa. Taí o computinha zumbindo na sua frente. Vai, mano, põe na tua cabeça ferrada duma vez por todas: roteiro de vídeo institucional. Não é cinema, não é epopéia, não é arte. É — repita comigo — vídeo institucional. Pra ganhar o pão, babaca. E o pó. E a breja. E a brenfa. É cine-sabujice empresarial mesmo, e tá acabado. Cê tá careca de fazer essas merdas. Então, faz, e não enche o saco. Porra, tu roda até pornô de quinta pro Silas, aquele escroto do caralho, vai ter agora “bloqueio criativo” por causa dum institucionalzinho de merda? Faça-me o favor."

 Assim começa o novo romance de Reinaldo Moraes, esse escritor que nos surpreende sempre. É tão bom, que você traga as 480 páginas, sem pestanejar. Quem conhece “Tanto faz” e “Umidade” há de concordar comigo.

Na página 285, a gente lê o seguinte trecho:

 “O que caía bem agora era um Red Label nas pedras e um pozinho para distrair essa puta ansiedade turbinada de tédio e carência sexual”. “Caraca   por que diacho eu fui deixar todo pó do Miro naquele hidrante, há trezentos quilômetros daqui?”

Caro leitor eu explico a frase: É que todo viciado sempre acha que o melhor esconderijo para sua droga tem que estar a quilômetros de suas mãos. E que depois, fatalmente, descobre que deveria ter toda ela em suas narinas. Coisas de Laurinha, se é que vocês me entendem!Reinaldo “Zeca” Moraes é fantástico. Um escritor às avessas do convencional. E acredite-me, incrédulo leitor, estes parcos trechos que transcrevo deste livro imprescindível, não é sequer um átimo da beleza e da loucura de seu romance, que a Objetiva Editora lançou, seguindo as regras ortográficas anteriores à “reforma” que passou a vigorar em Janeiro de 2009. E que, se diga de passagem, até 31 de dezembro de 2012 continuarão em vigor. E que como irrevogável, continua sendo revogável...__ Não é mesmo Mercadante __?, tá tudo valendo, né não?  

Mas estou falando deste__ do novo romance de Reinaldo Moraes __ , para poder estender uma ponte imaginária entre Pornopopéia  e Easy Rider.  Este romance é uma porta de um avião aberta na lateral. Seu primeiro vento é o solo do vento. Como o solo de uma guitarra. Este escritor é grave e ameaçador. Ele não faz  nenhuma graça, meus caros! Não se enganem, é um sargento com sílabas curtas e longas. Talvez ele, o autor, venha a dizer amanhã, depois de olhar para baixo, que sabia que a Terra estava lá. E diria depois do alto do bendito Label, que o melhor de todos os saltos, é aquele que você chega ao chão em segurança. Irônico e sarcástico. Esse é o seu talentoso e diferenciado estilo.

 Blues, para mim, sempre foi um céu azul e vazio, se é que vocês me entendem!

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 15h01
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Oficina Eduardo Chagas - Inscrições Prorrogadas

As inscrições para a Oficina de Interpretação do Eduardo Chagas foram prorrogadas até quarta-feira, 14/10.

Faça sua reserva!

Casa de Eventos Alameda- rua Minas Gerais 181- paralela com a av, Angélica, final avenida Paulista,

Maiores informações: 3151 4489 ou 7323 2679 com Eduardo Chagas.

                                      eduardochagas21@yahoo.com.br



Escrito por Paulo de Tharso às 13h22
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Na ordem do dia a delicadeza da pluma leve de Liniers.

                          Ou

                O seu saco cheio



Escrito por Paulo de Tharso às 17h00
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Uma coisa:

 Saiu a Artigo 5º número 9.

O beijo no Asfalto de Patrícia Valim,

Guerra Fortes entrevista Gualberto Costa e a Daniela Baptista,

donos da HQMIX na praça Roosevelt, com fotos do Daniel Cavana.

Textos meus e do biólogo perdido Daniel Cavana.

Distribuição Gratuita.

HQMIX Praça Roosevelt

Sebo Do Bac ou ainda

Nestor Pestana 125 conj. 76

 

 

Outra Koiza

O Eduardo Chagas abrindo oficina de Interpretação.

Quem estiver interessado...

 Inscrições-  A partir do dia 28 de set. segundas e terças feiras das 10 h as 14 h.

                                               Faça sua reserva!

Casa de Eventos Alameda- rua Minas Gerais 181- paralela com a av, Angélica, final avenida Paulista,

Maiores informações: 3151 4489 ou 7323 2679 com Eduardo Chagas.

                                      eduardochagas21@yahoo.com.br



Escrito por Paulo de Tharso às 13h32
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Hoje

Estréia da peça Brutal

Texto e direção de Mário Bortolotto

Elenco: Laerte Melo, Maria Manoela, Luciana Caruso, Marta Nowill, Carolina Manica, Érika Puga e meu irmão Walter Figueiredo.

Onde: Parlapatões

Todas as sextas à meia-noite.

 

E amanhã

 

Recebi na quarta-feira o livro das mãos do próprio Carlaccio com dedicatória e direito a café. Ele pediu que eu lesse um trecho do livro lá no Sebo do Bac. Infelizmente não vou poder comparecer. Mas já li a porrada e sei que vai ser duka.

Felicidades Karcamano!

Também Amanhã e Domingo

 Com nosso kara querido, Nelsinho Peres (cujo úniko defeito é torcer para o São Paulo), com mais 10 atores no tablado.

Teatro Coletivo

Rua da Consolação, 1623

Sábados às 19:00h e Domingos às 18:00

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 12h37
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