O ar que respiro, o álcool que bebo e o cigarro que fumo
Fazem parte do meu modo de existir
A bala perdida que recebo
Só prova que contra tudo e contra o vento, ainda posso resistir
A lágrima no canto do olho que percebo
É parte salgada da químika que tenho
O moleque que guardo no peito
É meu direito de tê-lo e ser
Como é que me julgo de verdade ?
Não sei... Um pouco desse que parece com Deus, é ateu.
Mas afinal... nem sei bem se sou eu!
Pode bem ser apenas uma miragem ou um vulto no breu.
Paulo de Tharso 06/07/2007
C´est la melancolie. Et elle me dit bonjour!
Se um único átomo contém tanta energia, o que dizer do homem, que contém tantos átomos. Se é a energia que ele idolatra, por que não a procura em si mesmo? Somente agora posso avaliar o fervor que se apossou de Satã, quando soltou as forças do mal. Habito um mundo de sombras repleto de leves reflexos. Sou um homem, dotado de intuição, que me permite ver através e além do mundo das fantasmagorias. A estrutura dessa sociedade sociopata, arruinada desmorona a kada dia diante de nossos olhos, e não fazemos nada. Só contemplamos, e não percebemos os danos, e não desejamos recomeçar tudo de novo para tentarmos sermos melhores. Negociamos com Satã todos os dias e nos afastamos de nossa vokação para bem.
Não imploremos mais nada há Ele, pois matamos seu Filho. Não vamos mais ser hipókrytas, achando que Deus vai nos salvar, se rezarmos com fé, pois cultuamos o dinheiro e seus bezerros de ouro. O homem só conhece o demoníaco. Eu desejei a linguagem do espírito, não a dos pesos, medidas e relações superficiais. Em auto-defesa, às vezes, sou obrigado a comparar-me ao matemático ou ao phyzyco que passaram__ e já faz séculos__ a empregar uma linguagem de signos completamente fora da compreensão das pessoas mais instruídas. E é aí que me afundo. E é aí que me perco nos labirintos infernais da cidade e nego minha vokação sublime para o amor. Torno-me então beligerante e também me afasto kada vez mais de Deus. É, eu estou desistindo. Jamais pensei que diria isso. Ontem eu falava para pessoa que amo justamente o contrário, e hoje, neste momento estou entregando os pontos.
Não há espaço para meus pensamentos, não há ouvidos para minhas canções, meu emphysema pulmonar me impedirá de kantar e respirar. O lugar da renovação é o coração e é nele que o poeta deveria ancorar. Me esqueci que exercia uma função bem diferente da de quem lida com o mundo phyzyko e abstrato. Eu perdi. Renuncio por ser incompetente para essa vida, que aí está. Meus sonhos eu os joguei aos tubarões, minha pérolas, obrigaram-me a dar aos porkos e a minha afeição eu a perdi com a idade.
Às vezes, eu demoro a responder aos coments. É que só tenho acesso à Internet aqui na Associação Cultural da PF, ou na kaza da Dri. E aqui fecha aos sábados às 18hs, domingos e feriados. Mas eu respondo sim.
Quando os Anjos não se parecem com Anjos.
Roberto Piva
No outro post que escrevi eu dizia que lamentava pelos poetas. Ontem, o Pinduca me ligou e disse que o Roberto Piva estava no Hospital, muito doente e em condições precárias de atendimento. Ele tem 73 anos. É disso que eu estou falando. A Arte não pode ser um escritório eterno de Antropometria.
Na juventude, o poeta tem sua ira, sua força, sua convicção. Mas num outro momento, como Lúcifer é lançado do Céu. Do Céu da sua juventude e é vencido por um Arcanjo estranho, pelos homens e suas autoridades mesquinhas. Estou ensaiando uma peça “Basílio, O Destemido”. E nas discussões com o elenco e o diretor, durante as leituras, muito do que estou dizendo é constatado. Klaro, de uma maneira diferente, mas se assemelha muito da desistência humana, diante da impotência do rebelde. Como pode, um jovem brilhante, detentor de tantos talentos dar errado? É simples: Num determinado momento ele desiste e sua reação é desprezar estes talentos. E creia, desatento leitor, eu sei do que estou a falar. Ele parte bruskamente a vida ao meio. É magnífico e horrível ao mesmo tempo. O próprio Satã não poderia ter imaginado kastigo mais cruel do que aquele que o artista impõe a si mesmo com superável orgulho e egoísmo. No limiar de sua vida adulta entrega seu tesouro (o gênio do criador) àquele instinto secreto e poder da morte que levamos em nós. Se, ao contrário, tivesse fikado sempre com os olhos bem abertos, estaria navegando nas águas plenas da sabedoria! Parodiando as palavras de Krishna: “Com este meu eu estabeleço todo Universo e permaneço separado para sempre”.
A escolha compulsória que revela a percepção do gênio criativo é sempre revelada nas horas de maior precisão. O que nos fecha a visão e com isso nos causa a perda, ninguém jamais soube nos explikar.
É lamentável ver um poeta como Roberto Piva, agonizando em um leito de hospital, sem plano de saúde, sem ajuda financeira, largado e esquecido. Vou tentar falar com meu aluno de Francês, o Dr. Ricardo Nogueira, mas não posso prometer nada. Ele não é o dono do hospital. Mas é um médico dedikado e humano, como poucos que conheci.
O poeta é uma das almas mais desesperadas que existem sobre a face da terra. Abdika do outro “eu”, que existe dentro dele. Eu sei o que estou dizendo, leitor desertor. Como outros tantos, vivo isso. E posso vos garantir...É terrível! Pois em nós, há o desordeiro, o fanático, o desertor, o anjo e o demônio, dançando uma valsa mortal todo santo dia. Estou farto de perceber meus irmãos de fé, perdendo a fé. Pois a fé dos artistas, dos verdadeiros artistas, daqueles que procuram com sua arte transumanar, é a fé das almas desesperadas, nascidas à última hora, e que de tanta sede de viver, morrem no deserto, se é que você me entende, karo leitor. Mesmo que resista por muito tempo, sua kabeça já está entregue ao espadachim.
Porque como dizem: “Quando você está bêbado, mesmo certo perde a razão”. Que grande bobagem, não?
Torquato Neto
O poeta hoje, tem que desistir se sua vokação. Eu lamento Pinduka, eu lamento Montenegro, eu me desculpo Chacal, eu desisto Piva, eu choro Sérgio Mello, e que me perdoem todos os poetas. Mas essa é minha triste conclusão. Pode ser que vocês tenham outras opiniões e rebatam essa minha triste constatação, e euque até gostaria. Mas infelizmente é o que me corta o peito neste momento. Digo isso porque o poeta já demonstrou o seu desespero, já reconhece a própria inkapacidade de comunikar-se. Ser Poeta era antigamente a mais sublime vocação; hoje é a mais fútil. Sabe por quê? Porque o mundo, hoje, é imune às súplikas do poeta. E, convenhamos, ele mesmo (o poeta), não mais acredita no caráter divino de sua missão. Há mais de dois séculos vem kantando fora do tom; não conseguem mais sintonizar-nos. Não, não sou poeta. Sou um letrista vagabundo bem atento ao meu mundo, é o que sou. E como eu não sei o que eu sou e não sou o que eu sei, permito-me vociferar e lamentar. É mais fácil o escutar o assobio da bomba, que faz sentido para todos, do que os delírios de um poeta, que mais parecem disparates. Somos mais de 6 bilhões de habitantes mergulhados na poesia da fome, das guerras sem fim, das polítykas dos imbecis, dos votos servis, dos Ministérios, estes monumentos às aranhas, da bomba atômika, dos vírus mutantes criados em laboratórios. Istas, istas, istas de todas as procedências, que fazem fortunas com a gordura das ciências!... Vão para o inferno, kanalhas de merda!
Apenas um punhado finge entender o que o poeta individual está dizendo. O culto da arte não preenche sua finalidade, quando só existe para pequenas dezenas de pessoas privilegiadas, espalhadas pelo mundo que se agiganta, medra e certamente findará, por sua própria estupidez. Linguagem cifrada não é arte. Apenas linguagem cifrada de uma sociedade secreta para a propagação da individualidade deskabida. O Grupo Bilderberg sabe disso. Isso não é teoria da conspiração! É conspiração pura. Vive, cria, mata e orienta dessa maneira. A Artedeveria ser algo que incitasse as paixões humanas e não as reduzisse em pó radioativo, destrutivo e televisivo para entreter antes da morte. Essa morte aparente já existe no sono da programação televisiva. Que poema abalou o mundo mais recentemente, como a destruição em massa, diária, constante, gradativa do que as guerras e os fenômenos de katástrofes naturais? Que armas o poeta possui, em comparação a tanta estupidez? Ou que sonhos? É, eu sabia que meu bom humor duraria pouco. Mas sou perseverante em minha tristeza e é por isso que sou assim...(delinqüente segundo a lei de Oskar). A realidade é esta que está aqui, agora, à nossa frente. Quer saber? Eu acredito inerentemente que a violência contra o inimigo não é imoral. Eles me ensinaram isso. Os terroristas que destruíram o amor, são piores do que os terroristas que matam a si e a transeuntes inocentes?
Para mim, a poesia do amor seria não à morte. Morte, imposta aos poetas, que gostariam de algumas folhas de oitis, para repousar seu cansaço em uma era épika, onde não há mais nada de épico. Desculpem. Hoje eu não tô nada legal. E eu sei: isso é um problema meu. Desculpem meu olhar de viés. Essa minha eterna trajetória oblíqua. Então fika assim: Poetas, aos papéis! Cidadãos, às armas!
Como meu blog anda meio bravo assim como meu gato, o Félix, eu resolvi dar uma relaxada nas pesadas reflexões. Então, tunguei essa pequena verdadeira história que aconteceu duas semanas atrás, lá do blog da Adriana Brunstein, Pontada no Apêndice. Foi realmente engraçada. Essas coisas acontecem mesmo por aqui. E como o querido dramaturgo está kada vez melhor,e nós já conseguimos rir de algumas outras coisas, resolvi colokar aqui o fato.
Foi assim:
O FIM DO NEURONTIN
"Lá na curva da Nestor Pestana tem um botequinho com uma elevada concentração de figuras impagáveis. E numa chuvosa sexta-feira, eu,Paulo House de Tharso e Walter Figueiredo Batata tomávamos umas cervejas e ríamos de umas histórias de dentes falsos finalmente liberadas pela censura. Eis que se aproxima, com sua cadeira super-sônica, Marcelo Rubens Paiva. Rinchhhhhhhh. Zuimmmmmm. Glank.
- É aqui o Biru´s?
Não. Não era. Era só o botequinho com elevada concentração de figuras impagáveis. Toca então o telefone do Dr. House.
-Alô? -Alô? Picanha? É Melissa. -Oi Melissa, tudo bem? -Na verdade não. Acabou o remédio do Mário. -Que remédio? -Ai, peraí que eu esqueci o nome. Vou ligar lá e já te ligo.
Dr. House se levanta e começa a andar em círculos, pensando já numa estratégia de ação. O Paiva aproveita a deixa:
- Pra vocês verem como são as coisas. Eu mergulho num laguinho de merda, sem pretensão nenhuma, quebro a coluna e fico tetraplégico. Só pra trepar foram dois anos! O Mário toma três tiros, escapa de um, e taí, todo mimado e pronto pra outra em menos de um mês! Trimmmmmmmmmmmmmmmm.
- Alô? Melissa? - Oi Picanha. - E então? Qual o nome do remédio? Acabou tudo? Que horas ele tem que tomar? Como foi acontecer uma coisa dessas? - Calma, Picanha. O nome do remédio é Neurontin. - O quê? Acabou o Nervotil? Bem o Nervotil? - Não, Picanha, é Neurontin. Quer que eu soletre? - Ah, meu deus...qual a dosagem do Nervotil? Quantos miligramas? - Ai, esqueci de perguntar...vou ligar lá de novo e te ligo.
Dr. House aumenta a frequência de translação enquanto Paiva rotaciona sua cadeira para observar as putas. Zuft. - Lugarzinho interessante esse, não? - Preciso ligar para meu aluno neurologista. Preciso de um celular com crédito. Preciso de uma farmácia 24 horas. Trimmmmmmmmmmmmmmmm.
- Alô? Melissa? - Oi Picanha. Então, é Neurontin 300 mg. - Tá, Nervotil 300 mg. Mas não tem mais nenhum? - Então, tem pra agora mas não tem pra madrugada. - Ah, meu deus, meu deus, isso não pode acontecer. Vou ligar pro meu aluno agora! - Valeu, Picanha. - Batata! Me dá seu celular! Tem crédito? - Tó, usa aí. - Alô? Dr. Ricardo? Bhtsrengbvtutsd bgtihejkptureg Nervotil 300 ghsdrteuty nmhdfegrs É grave não tomar de madrugada? njfetirtrsde Receita retida nhsdetrugm Sim, sim, passo aíamanhã cedo e pego.
Dr. House finalmente se senta, vocifera mais um pouco e relembra os saudosos tempos em que cuidava apenas de hemorróidas. Paiva segue rumo à Avenida São Luiz e Batata é intimado a voltar para casa. Lá na curva da Nestor Pestana tem um botequinho com uma elevada concentração de figuras impagáveis".
Saiu o novo número da revista Artigo 5º. A gente tá distribuindo devagar, porque temos uma deficiência nessa área. Nós distribuímos na base do “karrega a caixa quem pode”. Vão encontrá-la Praça Roosevelt, nos Theatros, no sebo do Bactéria, no PPP, e breve, em algumas universidades. Alguns restaurantes do centro também irão recebê-las. É gratuita, é para você cidadão. Tem entrevista com José Dirceu. Acusado de liderar o mensalão do atual governo, o ex-ministro da Casa Civil fala do dia seguinte, do financiamento de campanhas, do uso de algemas. Critica a imprensa e a Operação Satiagraha, mas diz que a PF é republicana. Tem muita coisa legal. História: O Aniversário do Muro de Berlim. Veredicto: Homossexualismo. Os dois militares que declararam sua orientação sexual continuam sendo processados. Pindorama: Programa de índio ou coisa de índio. Uma expressão carregada de preconceitos. Anistia: Bárbara Itália Méndez, espancada, seviciada, continua presa. Cidadania: O que é DPVAT? Cultura: “Os Condutores Bizantinos” de Paulo de Tharso: “A revitalização do dramaturgo Mário Bortolotto” de Luis Guerra Fortes e o texto belíssimo de Marcelo Mirisola ao amigo. E tem também “As opiácias no fluxo energético do algoz e sua vítima” por Daniel Cavana. E pra terminar a Crônica “Eu finjo, Tu finges, Ele finge” de Armando Coelho Neto.
Quem estiver interessado nos antigos números, podemos passar a coleção. É só ligar para redação:32 372390 / 31513326.
OUTRA KOYZA
Vincent Cassel em La Haïne
Essa Photo Eu Ofereço Ao Kristão Oskar!
Sabe kara, eu havia prometido que não te daria essa boiada. A de falar teu nome e responder tuas titikas. Mas, como é a última vez que coloco um comentário teu em meu blog, não posso me furtar a lhe contar uma novidade que você não sabe: “Você é um idiota”.
Não é a morte que nos desafia a kada passo e sim a vida. É fácil de entender, karo Oskar: Exaltamos ad nauseam os adoradores da morte, mas e aqueles que aceitam o repto da vida? De que modo os exaltamos? Do Diabo ao Anti-krystos corre uma chama de paixão que o homem, o mero homem, sempre haverá de exaltar. Para aqueles que se acham esclarecidos, é que devemos opor a serena aceitação. A força do rebelde, que é o mal (leia Baudelaire, karo Oskar), consiste na sua inflexibilidade. Mas a verdadeira força desse rebelde, reside na submissão que permite a alguém dedicar e/ou tirar a própria vida, pela devoção, ao amor, a algo que o supera. Essa tua força, que você chama de Superior, e que leva ao isolamento sem reflexão, imposto por dogmas...é, na verdade, a kastração. Não lho me digas que tu és eunuco!?
Enquanto a força do outro__ daquele de quem eu falava __, leva à unifikação, que é a fertilidade duradoura.
Minha paixão sempre terá sua raison d´être,citoyen! Pois karrego comigo a paixão do criador. Mas não transformarei minha existência na terra em um Kalvário, para atingir uma oitava mais alta na paixão de um Krystos crucifikado pela arrogância, obrigado a enkarnar todo o sofrimento humano. E olha que ando muito puto de uns tempos para k.
A paixão do poeta, do escritor, do ator, do escultor, do pintor, de um médico que ama sua profissão, de um lixeiro que faz bem o seu trabalho, do operário que se equilibra nos andaimes (já viu como são estreitos os andaimes da vida, por onde kaminha aquele que constróia tua morada, Oskar? E seria bom que você perguntasse por quê, tua morada? E ele o faz com orgulho de quemconstrói para o próximo), enfim, do artista é resultado de sua visão, de sua kapacidade de ver a vida em sua essência e em sua integralidade. Quando se destrói ou se perturba essa visão, extingue-se a paixão.
Vamos parar de procurar discípulos entre figuras literárias de nossa époka, mas de preferência, vamos procurá-las entre as figuras obscuras, eclipsadas, entre gente obrigada a sufokar seu gênio.
Obrigado Oskar. Não, de verdade! Tô falando sério, cidadão! Você até me deu vontade de vociferar, antes de eu vomitar em teu tapete vermelho, dentro da tua morada cor de sangue do Krystos que tem poder.
A parada foi mesmo sinistra. O Desgovernador José Serra, estava jantando no restaurante Rose Velt, ao lado de privilegiados que não levam balas. Quando eu soube que le citoyen estava lá, eu fui até o restaurante na companhia do meu amigo, o roteirista Luis Henrique. É verdade que eu estava para lá do Haiti, mas não poderia me dar ao luxo de esperar fikar melhor, curado do porre e, o que é pior, o de ter outra oportunidade de encontrá-lo e poder dizer algumas coisas ao desgovernador, kandidato presidente. Se eu estivesse melhor, teria dito muito mais. Mas foi o que pude fazer. O diálogo foi mais ou menos este, que tirei do blog Guión de meu amigo Luis Henrique.
Do Blog Guión de Luis Henrique
Paulo de Tharso p/ José Serrafoto no restaurante Rose Velt
Paulo de Tharso __ Vinho e queijo, pontos altos da civilização francesa.
José Serra __Aos queijos e vinho! (sorri).
Paulo de Tharso __ (sério) Não te esqueças da guilhotina também! __ Você é o próximo.
Paulo de Tharso__ Tira a mão de mim!!
Ivan Cabral __ (sócio dono do restaurante) __ Não posso te dar um abraço ?
Paulo de Tharso __ Não!
Serra afasta uma sujeira da camisa com a ajuda de um guardanapo de papel.
Paulo de Tharso__ Essa camisa de trezentos reais , o senhor manda comprar aos contêiners.Meu amigo levou quatro tiros no átrio do theatro, usando uma camiseta em que estava escrito: Frankenstein, Senhor vampiro!
Luis Henrique __ Vambora que vai fikar pequeno pra gente, Paulo!
Paulo de Tharso (saindo cuspindo milho, com sua garrafa de uísque na mão) __Me dá um revolver com uma bala no tambor, que eu não faço uma batukada,mas monto ao som do surdo uma alegoria na ala das guilhotinas!
Luis Henrique __Na mesma noite minha bike foi roubada.
Outra koyza
Mas como tudo isso são minhas mazelas, e os revezes da vida são bem maiores, queria dizer que: Plantas da família comigo-ninguém-pode( se levadas á boka podem kauzar edemas e irritação), A Coroa de- krysto é perigosa porque seu látex kauza vômitos e irritações na pele e nas mucosas, Aroeira causa irritação na pele: bolhas, vermelhidão e coceira, só no contato. Espirradeiras podem matar, causando distúrbios kardíacos e neurológicos. Elas estão em quase todos os parques e praçasda cidade.
Queria chorar que não há pontos positivos no Haiti depois do terremoto. O presídio ruiu, líderes de gangues eskaparam e na fuga roubaram armas da Polícia nacional do Haiti. Essas gangues serão pequenos exércitos sem bandeira e prontos para saquear tudo e todos. Hoje tudo é bem pior do que em 2004. A rua não tem barrikadas porque não há mais ruas, é uma terra arrasada. O terremoto que atingiu Porto Príncipe fez o país retroceder a um patamar anterior ao da missão de paz, que começou em 2004. E o pior é que a klasse dominante do país é predadora. Quando era colônia, o Haiti funcionava com base em grandes latifúndios onde trabalhavam os eskravos. Depois, em 1804, após a independência, o Haiti se tornou uma nação de pequenos plantios e, com isso, a riqueza fugiu do alcance das elites governantes. Para compensar a perda, essas elites passaram a cobrar impostos altíssimos da klasse agrícola.
Mas as coisas não irão melhorar porque eu estou reklamando, e ontem fizemos fotos para divulgação da peça nova do Mário Bortolotto, que melhora kada dia mais e mais, fizemos a primeira leitura de “Basílio, ODestemido”, de Marcos Gomes com direção de Marcos Loureiro e com um elenco muito legal,o cientista chinês Shi Yigong cujas pesquisas abriram uma nova linha no tratamento do kâncer recusou USS 10 milhões da universidade de Princeton para voltar à China ( nós chineses temos orgulho) e a Brunstein tá brava comigo. Mas isso passa, né meu amor?
“A visão fria substituirá as alegrias do raciocínio e assistiremos à morte da poesia, esfolada e dissekada pela ciência”.
No kazo de um suicida, ninguém se preocupa em saber se morreu de uma morte lenta, rápida...Na agonia do veneno, no corte do pulso ou cheio de tarjas pretas, no sono do gás, na onda do piko da heroína ou qualquer que seja o balcão do bar, na fila da desistência, e se essa agonia foi grande ou mínima. É o ato que tem importância para nós, pois de repente percebemos que ser e não ser são atos e não verbos intransitivos, que convertem a existência e a morte em sinônimos. O ato do suicídio sempre tem um efeito detonador ; abala-nos por um instante de percepção. Leva-nos a compreender que estamos cegos e mortos. E é uma merda nesse nosso mundo mórbido que a lei contemple tais tentativas (as do suicídio)com severidade hipócrita. Não quero ser lembrado do que deixo de fazer; na verdade encolho-me de medo ante a idéia que do além-túmulo o dedo do fugitivo estará eternamente apontado para mim.
A Adriana Brunstein, me conheceu numa fase perigosa, beligerante e extremamente suicida. Ela me perguntava, quando eu me equilibrava bêbado em viadutos ou marquises dos prédios, ou arranjava briga com um kara bem maior do que eu: “Como é viver sem medo, Paulo?” Eu ria e dizia para ela que era justamente o contrário. O medo é que me fazia correr os riscos “desnecessários”. Sem ele não há vida. E depois da vida, tem a morte para ser vivida, certo?
Pior é o suicida vivo. Não sou o único a sê-lo. Outros foram, são e serão. Multiplicar-se-ão aos montes os “Rimbauds” da vida. Nós todos poderíamos tê-lo cometido aos 17, 19, 27....Mas protelamErnest Hemingway esperou até os 61. Atirava bem. Alistou-se voluntário na Guerra Espanhola contra Franco. Era um romântico, o suicida.
Maiakovskiaos 43. Hunter Thompson aos 68.
Torquato Neto aos 28. Os que resistem e/ou protelam, são suicidas vivos. Nada mais insuportável para quem os vê por aí. Rindo, cantando, escrevendo, tokando, bebendo, fumando, com aquele olho à espreita, como que diz...Estou indo, estou indo. Mas por enquanto nós os tomamos, esses que nos acham insuportáveis, por testemunhas de nossa provokação, através de uma vida desperdiçada, a morte em vida que todos nós nos impomos. Karikaturamos nossa própria grandeza, transformamos qualidades e êxitos em puro frakasso para vituperar os karas babakas que nos apontam o dedo por aí! E pode crer, deseludido leitor, eles são muitos.
Bom, deixo uns versos de uns karas que eu gosto para vocês, pois tenho muito para fazer hoje.
Um bom dia, ou uma boa noite Kamarah!
E depois de Maiakovski...
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht (1898-1956)
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...
Martin Niemöller, 1933 - símbolo da resistência aos nazistas.
Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...
Paulo de Tharso, 1960- Karregador do estandarte da Pirataria.
O próximo, maluko:pode ser você.
Me dá um revolver com uma bala no tambor, que eu não faço uma batukada,
Mas monto ao som do surdo, uma alegoria na ala das guilhotinas.
Foi com alegria que saquei isso que a Marina mandou em seu Blog falando da revista Artigo 5ª, revista que comporta Nossa OSCIP Ecosurbanos além dos artigos muito bons de juristas, delegados, sociólogos, biólogos, escritores, poetas, dramaturgos, enfim.... e tudo que possa ser do bem. Tô postando aí em baixo.
"Ontem fui na “Merça” e ganhei de brinde a edição 10 da Artigo 5º, revista da Associação Cultural dos Delegados da Polícia Federal para a Democracia. O nome da entidade pode até assustar, mas a parada é bem interessante, cheia de críticas inteligentes e matérias com conteúdo bem foda. Paulo de Tharso é colaborador da publicação, junto com Danny Boy, Dri Brunstein, além de outros amigos e conhecidos. Confesso que já tinha folheado mas nunca tinha lido a bagaça direito, o que fiz ontem e me deliciei. Puta revista, não só a parte de cultura que a galera faz, mas tudo. Rola uma salada de assuntos relevantes com um tempero ácido: Sócrates, cidadania, história, escândalos policiais, literatura, ética, direitos humanos, arte, uma porrada de coisas.
Nesta edição que li, o senhor Paulo de Tharso fala do livro Pornopopéia, do Reinaldo Moraes (livro genial, aliás) e acaba por levar seu leitor à uma reflexão sobre a arte de pensar, de escolher e construir aquilo que está à nossa volta ou tudo aquilo que chamamos de "cultura". Melhor "gritar, cair, levantar e voltar a gritar a ter de me calar", como escreve muito bem o cara. Imprescindível. Tem ainda uma entrevista incrivelmente foda da Dri com o Lourenço Mutarelli (sou fã de ambos) e um texto niilista pra caralho mas não menos bacana e intrigante do Danny.
Gente, fiquei amarradona. Dri e Paulo: preciso de TODAS as edições, rola"?
Claro que sim, Marina.
Outra Koyza:
Ontem assisti novamente:
O bom de fikar kaza, quieto, sozinho, meio amuado sem entender o porque deste sentimento, é que você resolve do nada pegar um DVD que já assistiu, e no decorrer das cenas, você pausa, reflete no diálogo, confere o ângulo da cena e se pergunta ...Por que ele fez assim?
Clint é Walt Kowalski, um velho veterano da guerra da Coreia, que acaba de perder a esposa. Ele acredita na bandeira e no preceito de sua nação. Seu relacionamento com os filhos e netos é pífio, e essa sua família mais traz desgosto para Walt, do que qualquer outra coisa. Uma das primeiras cenas do filme, logo no velório da mulher de Walt, mostra isso de forma magistral. Aliás, essa é uma das melhores cenas do filme, a câmera alternando entre focar o rosto de Eastwoode mostrar a atitude dos netos, ficou simplesmente genial, além de mostrar, em poucos segundos, boa parte do que é o personagem deEastwood no começo do filme.
Mas o mais legal deste filme é que mostra como a solidão, a verdadeira solidão (em que o sofrimento a acompanha como cicerone para a reflexão de sua vida), pode fazer um homem tornar-se contemplativo, e que apesar da idade e de seus conceitos e pré-conceitos, faz com que este homem irascível, mude a maneira de ver as pessoas, suas crenças e a própria vida. E depois de tudo concluído, e de achar que tudo está em seu lugar, descobre que a intolerância, venha de onde vier, pode akabar com tudo, só porque se pôs a mão no bolso para pegar um inofensivo isqueiro Zippo, antes de tentar argumentar com inteligência sobre a vida.
Mais uma vez Clint Eastwoodacerta na direção e na primorosa atuação. É; o kara acredita no que faz.
E tudo acontece porque ele entende que deve proteger o próximo e preservar seus direitos, seja o próximo que for. Às vezes a bondade e a compreensão vem daqueles que você menos espera ou daqueles que você tinha certeza de que em hipótese alguma, conviveria tão perto.
Seigneur, protege moi de mes amis, mes ennemis, je m´en charge...
Pesos e Medidas.
Vou trokar c por k quando o som for k e não c, e alhos por bugalhos _ que não são bolas de gude do Alentejo__. Transformar onças em gramas, gramas em onças, quilos em libras, libras em quilos. Multiplikar tolenada britânika em quilos de sangue. No Iraque, tonelada amerikana em quilos de sangue. O volume que suporto de tanta desgraça é o de galões imperiais em litros, de kachaça e de cerveja. Kada polegada do meu corpo alquebrado transformo em centímetros cúbicos de sonhos desfeitos. Acres desertos de ar rarefeito, o sol por testemunha e minha boca torta pelo sofrimento.
Chego em uma conclusão sem precipitações, sem histeria, sem sentimentalismos inúteis__ mesmo que eu seja um sentimental em pessoa__ . Chegarei lá racionalmente, com ponderação, lógika e seqüência, como o inimigo número 1 que eu não pretendo ser. Aliás, um puta filme. A história real de Mesrine, que capturado foi enviado para a prisão de La Santé. Depois de ser deklarado inimigo público número 1 da França, o próprio presidente do país ordenou a criação de uma brigada para capturá-lo. Ele foi protagonista de fugas incríveis, assaltos e seqüestros ousados, envolvimento com a Brigada Vermelha da Itália. O Mundo via Pinochet matar Allende, Aldo Moro ser assassinado e Jacques Mesrine surgir como um símbolo contra o sistema, por meio do bandidismo. Depois de uma vida de fora da lei, atrás do dinheiro para sustentar sua vida de luxo, numa tomada de consciência polítika, resolve aliar-se à esquerda radikal e armada.
Voltando aos meus delírios particulares, quero dizer que não sou médico mais leio bulas e tenho meus instrumentos. Aprendi a pensar de uma forma e tenho um plano, já disse isso: primeiro recolher toda prova e documentação possíveis de modo a concluir e chegar ao gráfico da distribuição do horror ao longo dos séculos que venho enkarnando. Como bem vociferou, com um grito de terror, Xico Sá , alguns anos atrás, na porta do bar “Mercearia”:“Os inimigos são outros,porra”!!
Não sei que resultados descobrirei, mas há algo que me faz intuir e portanto prever, uma regularidade distribuída por curvas que se repetem como numa espiral, ou que se parecem, como num eletrokardiograma humano. A regularidade da História me interessa, como se fosse a regularidade do core de um homem, ambos gráficos, com seus picos, com suas quedas, mas mais do que tudo com suas repetições enlouquecidas, com suas imprevisibilidades e/ou previsibilidades e com sua normalidade. Veja bem, indiferente leitor, a minha dor. A curva visível nos três primeiros séculos depois de Krystos se repete em kada três séculos: e é desta repetição que tenho medo. Pois há tédio nela. Se o horror estiver diminuindo é sinal de que podemos até pensar de que seremos felizes daqui a duzentas gerações. __ Klaro, jamais fuiotimista. Até porque venho de uma linhagem, de uma estirpe muito nobre de Gorilas da ilha de Sumatra, antes Samatra, na Indonésia. Para entender, é imprescindível a leitura do novo livro “Memórias DaSauna Finlandesa” , de Marcelo Mirisola, pela editora 34__. Mas, se o horror aumentar esta História findará, pois o horror final só vai deixar poeira radioativa, os seus desertos e mais desertos. E depois, sim, e/ou talvez, poderá haver e/ou aparecer uma nova História, mais limpa, melhor e mais étika. Porém...se o horror for constante, repetitivo, tedioso e contínuo, aí, então, não haverá esperança nenhuma. Tudo será “Estado Fundamental”, livro ainda não publikado de Adriana Brunstein . Tudo estará para sempre imutável. E na verdade ausente leitor, é nisso que me fio.
Quando Rodrigo saiu, a tarde estava cinza e fria. Esse dia, ele passou andando. Viu coisas que sempre vira, mas que por algum motivo jamais dera a devida atenção. Não sabia por quê, mas pensava em Dom Quixote e sua loucura. Passou então, a imaginar o velho e alquebrado cavaleiro da triste figura. Em sua maneira de ver, D. Quixote não era louco. Apenas fingia ser. A rigor, ele, Quixote, orquestrava tudo sozinho. Ao longo de toda sua história, preocupava-se com a questão da posteridade. Agora, Rodrigo sentia-se, de certa maneira, próximo à loucura de Quixote. Só que não havia testemunha ocular para mais tarde relatar sua história. Então, seria ele mesmo a fazê-lo. Anotaria tudo em seu caderno azul. Talvez um dia, ele ou alguém escrevesse sobre aquilo. Talvez um dia ele compreendesse o que naquele momento era completamente estranho e bizarro. Sentia-se terrivelmente só. Estava abandonado a própria sorte e, nada nem ninguém, poderia algo por ele. Sua história agora, se confundia com as de seus personagens. Pegou o caderno azul e escreveu:
"Ando pelas ruas atrás de um fantasma que sou eu mesmo. Encaro outros fantasmas e mortos vivos. Vagabundos, pedintes, mendigos, bêbados e vadios. Para onde quer que eu olhe, eles estão lá. Loucos ou apáticos, alguns mendigam com orgulho, enquanto outros simplesmente estendem a mão, sem esperança de um dia deixar de serem mendigos. Há os que têm vergonha, muito provavelmente porque um dia já tiveram uma vida que não fosse o desabrigo, a miséria e a rua. Que tinham suas casas e pagavam suas contas. Que tinham seu trabalho, seu companheiro, sua companheira, uma família e que agora só têm suas mazelas, e perambulam invisíveis, mais mortos do que vivos. Ficam ali largados nas calçadas, sobre pedaços de papelões que são suas casas, colchões e assentos. Ficam ali, com suas mãos estendidas. Ficam aos farrapos, fedendo a abandono, sarna, piolho morto... Já não mais erguem os olhos, já não falam mais. Balbuciam uns quaisquer pelo amor de Deus e se vão. Derrotados demais, cansados e doentes demais. Outros ainda tentam trabalhar. São cegos vendendo canetas, bêbados e crianças limpando as janelas dos carros. Ciganas lendo a sorte, pirados nauseabundos contando relatos trágicos das próprias vidas, esperando em vão que alguém se compadeça com suas histórias. Há, é klaro, os que têm talento absoluto. O cara tocando acordeom, o repentista, o malabarista, o comedor de fogo, o contorcionista, os flautistas, os tocadores de pífano... Um gênio clarinetista, que jamais teve sua chance, e que se teve, a vida levou para outro lado. A cidade, um enorme circo onde todo abandono e crueldade se misturam.
Mas pedintes e músicos de rua constituem uma pequena parte da população de miseráveis e vagabundos. Porque ser miserável e vagabundo, não é ser miserável e vagabundo. Eles são a aristocracia dos decaídos. Muito mais numerosos são aqueles sem nada para fazer, sem nenhum lugar para ir ou voltar. Sem se quer ter uma ponte para si. São viciados e loucos. Mas essas palavras não traduzem o que de verdade encarnam. Gritos de desespero, trapos de gente, corpos esfolados, rostos deformados, sem nome e sangrando. Cambaleiam pelas ruas, como se às ruas fossem para sempre acorrentados.
São maltratados e afugentados das portas dos bares e restaurantes por onde passam, por todos aqueles que temem suas imagens rotas e alteradas. Para aqueles que os afugentam, essas figuras representam seus próprios medos, limites e impotências, diante do inexplicável.
Essa gente segue pala vida-rua, arrastando suas sacolas, suas caixas de papelão, cheias de coisas inúteis para nós, mas que para eles são tesouros. De um lado para o outro, sem chegar a lugar nenhum, pois não há lugar nenhum para se chegar. Estão eternamente de partida, sempre apressados e em movimento constante. Eles só param para dormir e para olhar dentro de nossos olhos, como se quisessem que nos reconhecêssemos em seus olhos. Há o homem que anda delirante, enrolado numa bandeira brasileira toda rasgada, mulheres com as roupas cobertas dos pés à cabeça com broches e adesivos de campanhas eleitorais. Tem homem gritando sem parar as mesmas frases, furioso, vociferando com o invisível”.
Teve vontade de chorar e chorou. É bem provável que tivesse medo de tornar-se mais um dentro daquela multidão. Mesmo que soubesse, em seu íntimo, que ele não fosse assim. Mas a idéia de Quixote o perseguira por toda tarde.
Já era noitinha, quando fechou seu caderno azul. Rumou para a Praça Roosevelt, sentou-se em companhia de Sancho, do barbeiro e do padre. Pediu uma taça de vinho e acordou.
Todos temos um grande cansaço em sermos tanta coisa!
Eu, por exemplo, sou sempre retardatário no horário da vida
E para a hora da felicidade.
Sem noite serena, sem lindo luar,
Sem nehuma sereia bailando no mar.
Deus...Que fiz eu da vida?
Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça!
Ter deveres, ter que estar lá...
Odeio o sol, que doura as casas dos réprobos.
Esse mesmo sol que cega os olhos da criança faminta
Vagando pela rua, cheirando cola, éter e benzina,
Enquanto jogamos purpurina televisiva para remediar.
Vagar pela noite é meu ofício. E meu trabalho é regressar à liberdade.
Deprimido? Eu? Não, não sou!
Sou desencantado. Apenas isso!
Também trago muito cansaço de ter de ser tanta coisa.
Por amor de Deus, parem com isso dentro da minha cabeça!
Que está colada ao corpo e longe do coração.
Os homens se deram o bem e o mal.
Não o tomaram de ninguém, não o encontraram em uma esquina bêbada qualquer, não lhes caiu como uma voz do céu.
Entre nó$ não há mais povos ou rebanhos. Apenas Estado$. Estado: Palavra de morte dos povos.
Pode ser que eu esteja ficando louco.
É possível. A bebida mata ou enlouquece.
Eu bebo muito. Quem me conhece sabe.
Estou aqui, ouvindo " In a Soulful Mood" de John Coltrane, e percebo que acostumei-me à alucinação simples:
Vejo fácil meu gato comendo um pássaro, as almas dos mortos-vivos rondando meu jardim olvido como o campo crescido e florido, uma ala inteira de anjos caídos tocando jazz num salão na ponta de uma avenida.
Dizem que este ano os Orixás são São Jorge e Santa Bárbara. Ano de guerra, kamarah! Às vezes vejo no céu praias sem fim, cobertas de negras-brankas nações. Por um instante, nadase interpõe entre a certeza do sonho e eu. Mas se é sonho já esfumaçou, se é que você me entende. Apesar disso, visualizo o futuro como uma realização inevitável do meu mais profundo desejo humano. Quero dar um basta à docilidade e à submissão. Não somos eskravos. Por isso lembrei da Revolução dos Cravos. Que por um instante poderia ter feito a Europa e talvez o Planeta todo um lugar melhor. Portugal em abril de 74, seria a continuidade da França em Maio de 68. Gaita! Não havia nem dez anos, ó pá!
Porém
Pois pá! Agora está estampado em nossas karas que a “Ordem Mundial do futuro ébipolar”. A ordem multipolar hoje em vigor já está sendo substituída por uma situação G2. The Bilderberg Group, avança a passos largos. Os EUA irão derrubar a economia da Europa, irão juntar as Amérikas, Ásia e continentes menores e transformar em um só grupo tudo e a nova China, vai colokar mais fé no dinheiro, achando que o resto do mundo mudará suas atitudes em relação ao país por conta da grana. Não há hoje, sociedade ou juventude que adore mais o dinheiro que nós, os chineses. E eu é que sou louco?
Do Filme Gravidade que fiz em 2006
Uma coisa que muito pouca gente sabe. Quando retornei do Rio de Janeiro, tive que ser internado por conta de dependência químika. O lugar era estranho. Só havia malucos e eu lá no meio. O jovem médico que me examinou, parecia ser um sujeito bakana. Ele dizia que eu poderia ser liberado com base nos bons resultados de meus testes e de sua investigação. Eu acreditei. Apareceram dois outros sujeitos e levaram-me do consultório para um pátio cerkado de alambrados. Fiquei uns dias no meio daqueles pobres-coitados malucos, andando de um lado para outro, katando besteiras no chão, aqui e acolá.Eu dormia num quarto com um kara que supostamente sofria de paranóia. Durante o dia ele era tranqüilo e amistoso. De noite fikava”vivo” e lutava com algum inimigo imaginário. Os karas da clínika entravam correndo, fazendo barulho e dando um sossega-leão no sujeito. Eu estava enlouquecendo. Um primo meu, médico, foi quem me tirou de lá. Diariamente,eu recebia a visita do Dr. K, encarregado de minha ala. Ele fazia-me perguntas, anotava coisas num bloquinho, e em poucos minutos, falava com outro paciente. Nunka soube o que ele escreveu naquelas notas. Pouco importa... Eu consegui sair! E fiquei louco mais vezes do que eu poderia imaginar, se é que você me entende, kamarah?! Fenobarbital é uma porrada violenta! Alguns ainda tomam. Mas com o tempo, todas as lembranças horríveis, indescritíveis, somem. E com elas todos os remorsos. Embora eu parta para o desolamento, embora eu, muitas vezes, transforme minha vida num deserto, embora ninguém mais ouça falar de mim, saibam de uma vez por todas que tudo e todos me permitirão possuir a verdade em corpo, copo e alma.
Com certeza, é ano de São Jorge e Santa Bárbara. Como diz Daniel Cavana, enkarnação de Shiva...... É Guerra!!!
Para todos que foram ou tentam ser derrubados pelas Fúrias das insanidades, o meu bom dia!
Sei que esse é o preço que o homem paga quando tenta elevar o nível mágico de seu(s) deus(es), quando se tenta viver de acordo com o novo código ( Nova Ordem Mundial), antes das novas divindades fikarem bem acomodadas. “Se nascer um deus é porque outros já morreram”.
Mas tirando isso quero falar das guerras que continuarão. Assim como os deuses das guerras que simbolizam o elemento mágico na criação; ofuscam e embriagam porque transmitem as trevas de onde provêm. Eu sei, eu sei... Baudelairejá falou sobre isso das profundezas de sua amarga experiência.
Nietzsche também, quando estava no manicômio.
Para os cidadãos íntegros, que dariam um braço ou uma perna para imitar a vida desgraçada de um poeta, aconselho: Fiquem em kaza. Não tentem viver a vida aventureira quando não conseguem, de verdade, afastar-se da própria bem-aventurança do lar. Os patologistas, nos definem como filhos da “paranóia ambulante”, se é que você me entende, ausente leitor.
Sabe por quê?Deixo Henry Miller explikar. Fale, Henry:
__”...apesar de toda vontade de trabalhar, apesar de tudo o que possui em matéria de talento, engenhosidade, pertinácia, adaptabilidade, leva pouco tempo para descobrir que não existe realmente nenhum lugar, em parte alguma, para a pessoa de um gênio. Ele, o gênio, é desajustado, diz o mundo. E com isso, lhe batem a porta na cara. Mas não existe, então, nenhum lugar para ele?...”
__ Obrigado, Henry, Desculpe tê-lo acordado.
__ Sem problemas, Paulo. Mas da próxima vez, traga-me ao menos uma garrafa de gim, sim?
O lugar do gênio é a sarjeta, kavando valas, ou atrás de um balcão de bar, ou ainda nas minas de carvão, ou nas pedreiras. Qualquer lugar onde seus talentos não sejam utilizados. Um gênio à procura de emprego: eis aí uma das visões mais tristes do mundo.
Bukowski sabia disso. Rimbaud também. Alguns de nós, que perambulam por estas ruas desertas por leis obscuras, também o sabemos. “São uns desajustados”, nos diz o mundo. E com isso nos batem a porta na kara. Mas não existe, então, nenhum lugar para o gênio? Klaro que sim, sempre existe, desde que seja bem lá no fundo. Nunka o encontraram nas dokas, karregando sakas de kafé ou qualquer outra merkadoria “de primeira necessidade”? Não observaram como lava bem pratos na cozinha dos restaurantes infectos? __Perguntem ao Jorge Cardoso, não é mesmo __?
Mas se formos mais persistentes e loucos podemos tornar-mos mais violentos do que desajustados. Mais raivosos do que silenciosos Caieras ou Álvaros deCampos, espalhados nesse planeta que não aceita sua pluralidade e o fato mais belo que é as misturas das raças.
Podemos todos, de um golpe só, tornarmo-nos Kimitake Hiraoka é, ele mesmo, Yukio Mischima.
Ele sabia martelar as coisas feias e dissonantes. Mas a vida de um gênio (ainda que queiram nos fazer acreditar), não é só sujeira e miséria. Todos têm os seus problemas, sejam gênios ou não. É, isso é verdade. E ninguém mais a favor da verdade que o homem de gênio. Mais alucinados, dos que tentam lutar a guerra do homem pela felicidade, são aqueles que gritam: “O Natal sobre a Terra será anunciado!Se você comprar em meu merkado”. Estes sim, alucinados!
Eu só entendo do próximo. Mas como eu posso salvar o próximo, quando sou inkapaz de salvar a mim mesmo? A resposta klássika, irrefutável aparece. “Estelouco nasceu com o sonho de paraíso” Pois é...O gênio nunka aprende. Porque nasceu com esse sonho e continuará com ele, mesmo que pareça loucura, porque há de tentar tornar seu sonho de paraíso numa realidade, sempre que puder.
Podem chamar do que quiser. Até mesmo de sentimentalismo barato.
Eu juro que não me importo.
Hoje eu só quero agradecer. Andar por aí e agradecer. Ganhei meu presente de aniversário e natal. Ganhei o pulsar do coração e da vida de um irmão, e isso é motivo para felicidade. Um ânimo total me encoraja neste momento. Dia 19 de Dezembro, depois de visitar o Mário com Pinduca, falamos de Beckett, em um pequeno boteco e senti uma gratidão muito grande. E continuo sentindo. Talvez, numa reflexão meio contemplativa eu esteja aprendendo a klassifikar os homens em dois tipos. Há homens esperançosos, que escolhem ver o copo ainda cheio pela metade, confraternizando-se com a vida, nas suas realizações e na felicidade que pode, por exemplo, ser apenas a sombra de uma amendoeira-da-praia, lendo um bom livro e perceber uma linda menina, kaminhando sobre a areia e observar o quão mágiko é o movimento de seus kabelos ao vento. E, de outro, (tipo de homem), que são amigos do não, irmanados na dor eterna, apokalípticos, que insistem em observá-la como um copo sempre vazio, rumo ao fim e ao nada. Conheço em mim estes dois tipos. Conheço em alguns amigos queridos estes dois tipos também. Mas hoje quero agradecer. Por ter minhas pernas, meus braços e a minha voz. Por saber que há muito sofrimento no mundo, para que eu invente mais um, quando, na verdade estou vivo, respirando e pensando. Livre. Sem amarras. Talvez eu diga isso só por hoje. Mas desde o dia 05 de dezembro, tenho andado por lugares tristes, percebendo tanto, mas tanto sofrimento, que me envergonho quando penso em minhas pequenas/enormes mazelas. Não sei quanto tempo irá durar essa kavalgada alada de mim por cima de todas as coisas ruins, que passam, neste momento por baixo de mim. E as olho de cima.Hoje, só por hoje, deixem-me aqui a metafízyka. Não preciso de verdades...Podem guardá-las, só por hoje quero kavalgar e agradecer e redescobrir o céu azul da minha infância. Se eu, que amo tanto a vida e a morte, se soubesse matar-me, me mataria. Mas quero, por hoje, kavalgar a vida. O dia não é chuvoso, mas se a chuva cair, que me banhe o rosto. Esta velha angústia que trago há sékulos comigo, vou deixá-la num kanto, esquecida como um velho guarda-chuva. Só por hoje quero viver sem couraça. Agradecer a todos meus amigos e mantê-los firmes, fortes, rindo e cantando e dançando e escrevendo e gozando do mistério go-zô-zo da porra da vida. Enfim, vê-los vivos.
Minha avó, que tem 97 anos, e está desde 2005 sem poder movimentar-se sozinha por conta de um AVC, continua acreditando na beleza do sol, no kanto dos pássaros, que ela ouve todo dia, como uma sinfonia, lá em Embu, depois que escuta o mato crescer. Quem sou eu para acordá-la com as bombas dos homens que gostam dos copos vazios. Sou um deles também. Ou fui.
Hoje eu só quero agradecer.
Obrigado Adriana Brunstein, por mostrar-me o que eu pensava não mais existir em mim e por fazer eu não me esquecer jamais do que deverei ser. Obrigado Mário Bortolotto por não esmorecer, obrigado Daniel Cavana (parceiro), Sommerfeld, Loureiro, Xuxa Lopes, Érika Puga, D´Umbra, Jarbas Capusso, Jô Capusso, João Fábio, Ademir Assunção (Pinduca), Marcelo Mirisola, Sérgio Mello, Jordão (Deus), Carcarah, Marcelo Montenegro, Nelson Peres, Mutarelli, Marcelo Paiva, La Carne, Paulão (Velhas Virgens), Carol, Carola Medina, Randall, Zeza Mota, Pagotto, Mauro Pascotto, Klaudio Kamacho, Cássio Amaral (mineirinho porreta), Claudia Mondin, Ricardo Nogueira, Walter Figueiredo, Ana, Negão, Brum, Edinho e Carlinhos, Helena Hutz, Clarah Averbuck, Cassiano Monteiro, Tamara, Linguinha, Fabi, Flavinho, Trovão, Régis, Stocker, Juvêncio, Gaúcho, Patrícia e Zé, Rogério Q-koiza, Guto, Tchelo Martins, Fernando Carvalho, Pércio Marotti, Joana Ceccato, que não é irmã do Ceccato, Paulinha, Márcia R., Sophie de Panaskette, Ivana Menna Barreto, Daniele Prado, Arthur Konrad, meu Pai Joka, minha mãe Myriam(por suas preces), minha avó Clotilde, Miryam Mirah, Rodrigo Chauff, João Velho, Paulo C. Peréio (que não fala mais comigo), Massao, Kapeta, Jorge Mautner, Geraldo Vandré, Paloma Duarte, Débora Duarte, Nelson Jacobina, Xando Zuppo, Grace Lagoa, Renato Carneiro, Rossana, Rossana Torres, Alexandre Bessa, Duda Costa, Nando Barros, Jotinhas, Osmar Santos e Rubinho(Brasil 2000), Donisete, Denise Vieira, Debora Vieira, Sueli, Maraira, Jairo Mattos ,Marcão, Oliveira (Diário), Dal Pozzo e Gabi, Armando Coelho (força com a dificuldade deste momento), Xico Sá, Marquinhos, Jotabê Medeiros, Caco Galhardo, Edu Rodrigues, Carlaccio, Pierre Masato, Luana Vignon, Rubens K, Pascotto, Paula Klaus, Ademir, Gualberto e Daniela, Eduardo Estrela e Dani, Raul, Napão, Claudinei, Hugo Possolo, Marcinha, Fernandinha, Mariana, Ivana S., André Prata(que conheci no meio da tormenta), Bactéria, João, Zé, os antigos que perdi de vista, mas que comigo invokavam musas, Mutarelli, Pagotto, Kim, Marquinhos (Mercearia), Marcelino Freire, Márcio Américo, Bruno Bandido, Fernanda Borges, Lalo Arias, Chacal, Doca e toda a galera do PPP, Fernandinha e todas as meninas do La Barca, Robson (ator fodão), Didio Perini, Debis, Niltinho Bicudo, Marcos Gomes, Alemão Moura,Tonhão, Carlos Careka, Daniel Alvim, Messias, Alexandre, Trombeta, Zé Manoel, Ribeiro, Luciano dos Anjos, Cabelo, Manu, Pacoal, Xepa, ...
É muita gente e não vou conseguir lembrar de todos agora(o que é imperdoável), além do espaço do blog ser curto. Mas dentro do meu coração, eu sei, kabem todos vocês. Citados ou não, jamais são ou serão esquecidos. Estou cansado, é klaro, porque a certa altura da cavalgada, a gente tem que estar cansado.
Mas eu só quero agradecer. Só por hoje. E só por hoje, não tive paciência para abrir completamente o livro que me interessava e não lerei. To com aquela emoção forte, que não se compra em prateleira de merkado nenhum do mundo.
Do Blog da Dri. Mas a foto é do Daniel Cavana (Dany Boy)
Esse kara recebe a luz certa. Ele só está pedindo para abrir mais o foko. Obrigado.