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 Para meu amigo Marcelo

Agora nada lhe resta

Mas ele olha pela fresta, o sol mudo que é bom.

E esse kara tem múltiplos sons sem som.

E sorri o delirante, porque a brisa para ele, é o bastante.

 

Dá nas palavras o nó do impreciso.

Sob o sol de verão se aquece,

Entardece e esquece.

Porque olvidar é preciso.

 

Como quem conta, ele canta.

E se o sol desaparece, evapora.

A lua vem e o provoca e ele não emudece, nem estremece.

Visionário, ele segue.

 

E amanhã para ele haverá aurora.

Pois a aranha do seu destino tece linhas.

Sempre fora um menino,

Dono do mais belo sonido sônico

 

Seu segredo?

Ora!...

É ser Montenegro..

 



Escrito por Paulo de Tharso às 17h34
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 A Pornopopéia de Reinaldo Moraes.

 Não é um livro para ladrões de carro.

"Vai, senta o rabo sujo nessa porra de cadeira giratória emperrada e trabalha, trabalha, fiadaputa. Taí o computinha zumbindo na sua frente. Vai, mano, põe na tua cabeça ferrada duma vez por todas: roteiro de vídeo institucional. Não é cinema, não é epopéia, não é arte. É — repita comigo — vídeo institucional. Pra ganhar o pão, babaca. E o pó. E a breja. E a brenfa. É cine-sabujice empresarial mesmo, e tá acabado. Cê tá careca de fazer essas merdas. Então, faz, e não enche o saco. Porra, tu roda até pornô de quinta pro Silas, aquele escroto do caralho, vai ter agora “bloqueio criativo” por causa dum institucionalzinho de merda? Faça-me o favor."

 Assim começa o novo romance de Reinaldo Moraes, esse escritor que nos surpreende sempre. É tão bom, que você traga as 480 páginas, sem pestanejar. Quem conhece “Tanto faz” e “Umidade” há de concordar comigo.

Na página 285, a gente lê o seguinte trecho:

 “O que caía bem agora era um Red Label nas pedras e um pozinho para distrair essa puta ansiedade turbinada de tédio e carência sexual”. “Caraca   por que diacho eu fui deixar todo pó do Miro naquele hidrante, há trezentos quilômetros daqui?”

Caro leitor eu explico a frase: É que todo viciado sempre acha que o melhor esconderijo para sua droga tem que estar a quilômetros de suas mãos. E que depois, fatalmente, descobre que deveria ter toda ela em suas narinas. Coisas de Laurinha, se é que vocês me entendem!Reinaldo “Zeca” Moraes é fantástico. Um escritor às avessas do convencional. E acredite-me, incrédulo leitor, estes parcos trechos que transcrevo deste livro imprescindível, não é sequer um átimo da beleza e da loucura de seu romance, que a Objetiva Editora lançou, seguindo as regras ortográficas anteriores à “reforma” que passou a vigorar em Janeiro de 2009. E que, se diga de passagem, até 31 de dezembro de 2012 continuarão em vigor. E que como irrevogável, continua sendo revogável...__ Não é mesmo Mercadante __?, tá tudo valendo, né não?  

Mas estou falando deste__ do novo romance de Reinaldo Moraes __ , para poder estender uma ponte imaginária entre Pornopopéia  e Easy Rider.  Este romance é uma porta de um avião aberta na lateral. Seu primeiro vento é o solo do vento. Como o solo de uma guitarra. Este escritor é grave e ameaçador. Ele não faz  nenhuma graça, meus caros! Não se enganem, é um sargento com sílabas curtas e longas. Talvez ele, o autor, venha a dizer amanhã, depois de olhar para baixo, que sabia que a Terra estava lá. E diria depois do alto do bendito Label, que o melhor de todos os saltos, é aquele que você chega ao chão em segurança. Irônico e sarcástico. Esse é o seu talentoso e diferenciado estilo.

 Blues, para mim, sempre foi um céu azul e vazio, se é que vocês me entendem!

 

 



Escrito por Paulo de Tharso às 15h01
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Escrito por Paulo de Tharso às 13h22
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