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 A europa Pronta para virar Geléia (texto de Janeiro de 2011 Para Artigo 5º)

Na edição 3, Julho e Agosto de 2008 da revista Artigo 5º, eu debutava aqui como colaborador. O nome do artigo era Maio de 68- 2008, 40 anos depois. Os últimos acontecimentos na França, só fortalecem o que escrevi. Não obstante a França atinge a Inglaterra e assim por diante. No artigo em questão eu falava entre outras coisas, que na época ( Maio/68) a situação de certa maneira era menos violenta. Havia sim brigadas,  barrikadas e lutas nas ruas. Mas tudo era muito bem coordenado e havia a participação de artistas, professores e intelectuais. Por exemplo: Em Maio de 68, Michel Foucault, que lecionava na Universidade de Tunis, recebeu um telefonema de Maurice Clavel, que era da administração pública que lhe diz: __ “Michel, os estudantes estão revoltosos. Todos marcham para Paris”. Ao que Foucault responde: __ “Não, você se engana; Eles são a revolta!” Agora, a realidade é outra. É globalizada.

Ao final de 2010, na França, tudo está diferente. É claro, o que aconteceu em 2010 foi apenas uma onda que deverá crescer com o passar do tempo. Olhem o que escreveu o  jornal “Liberdade Estudantil”:

 

 “... Trabalhadores e estudantes recolocam hoje a real democracia nas ruas e nas barricadas do país da grande Revolução Burguesa”. A situação política na França não cessa de se aprofundar. As mãos duras de Sarkozy ou amolecerão cedo ou tarde, ou se verão compelidas aos estilhaços e a derrota do regime endurecido será histórica, se o movimento logra superar no programa e na prática suas “direções históricas”.Apesar das direções reformistas, trabalhadores e estudantes tem impelido a burocracia a ir por mais. A confiança do “sincero” intelectual orgânico da burguesia, Alain Minc, “Tenho a sensação que estamos em uma coreografia onde cada um joga um papel com muita responsabilidade porque os sindicatos na França são muito responsáveis. (…) Nunca poderemos esquecer o papel que tem jogado no pior da crise e eu penso então que esta coreografia não terminará com um enfrentamento insuportável” (diretíssimo), só pode ser relegado ao lixo histórico pela força das massas e suas vanguardas conscientes. Assim o ultra-adaptado Partido Socialista, que votou no parlamento a reforma das aposentadorias, foi forçado pelas massas a se colocar agora publicamente pela revogação da reforma anti-operária, não por princípio socialista, mas aproveitando-se de um possível profundo desgasteSarkozy, com vistas às eleições presidenciais de 2012.  A lógica das direções tradicionais com o CGT e CFDT de conter os trabalhadores por via das já mais acostumadas greves gerais de um dia, lógica à qual também o regime burguês confia profundamente e joga suas fichas como forma usual de contenção, tem sido superada pelo impulso da real força que vem de baixo. Os sindicatos burocratizados, que se neutralizaram como ferramentas históricas para o combate da classe operária nas mãos das cúpulas sindicais, poderão agora ser compelidos à dança e se afastar de seus métodos de diálogo social a fim de manter qualquer nível de controle sobre as massas. As greves gerais por tempo indeterminado se adiantam em setores chaves da economia, como as refinarias, portos, os transportes e chega inclusive a se generalizar por setores inteiros em algumas regiões. Os chamados a essas batalhas se multiplicam. Mesmo as lógicas burocráticas de direção das centrais sindicais, com assembléias por setores, reforçando o corporativismo, vêm sendo em pequeno por ora, quebradas por Assembléias Gerais de diversos setores, onde atuam conjuntamente trabalhadores públicos e privados e estudantes secundaristas e universitários ...”

 

Por outro lado, em 2009, o jornalista Bernard Umbrecht, escreveu sobre “A memória apagada da Alemanha Oriental”.

O que me chamou a atenção no artigo é que os alemães, ao buscarem uma identidade nacional, passaram e passam o tempo todo por uma obsessão em recuperar o passado judeu e o Holocausto, ao mesmo tempo em que apagam com ferocidade de tubarão o que existia ao leste do Muro de Berlim. Esse esquecimento proposital concerne tanto à polytika e à cultura quanto à sua infra-estrutura industrial e científika. Nesse mesmo ano, o Parlamento alemão encerrou um concurso para escolher um monumento nacional que simbolizasse “a unidade e a liberdade”. A iniciativa fora um frakasso total: nenhuma das mais de 500 propostas apresentadas por artistas e arquitetos convenceu. “Pois essa dificuldade em encontrar um símbolo unifikador é um problema histórico da Alemanha”, afirma Enzo Traverso, professor da Universidade Livre de Berlim. Na Europa Oriental, os grupos da direita radikal se erguem tanto contra a nova onda liberal, como contra o socialismo de Estado que a precedeu. Outra característika, relacionada a uma ideologia abertamente pré ou antidemokrátika dessas correntes, ao contrário de suas equivalentes ocidentais, é que elas gritam e apregoam a plenos pulmões sua nostalgia pelos regimes despóticos de tempos passados, junto com seu dominante conceito ético e territorial de “identidade” nacional. Talvez seja verdade que o Leste Europeu tenha deixado raízes profundas do totalitarismo espalhadas pelo continente na dékada de 30. Nesse ponto é bom considerar que também, talvez, os Anarquistas em oposição à Sartre, tivessem razão ao dizer que o Comunismo era e seria a anti-sala do autoritarismo fascista.

Quem assistiu ou vier a assistir ao filme “ Adeus Lênin!”!,  de Wolfang Becker pode pensar ou ter pensado que esse excelente filme com muito bom humor, retrata toda a verdade tragada pelos habitantes da RDA,  após a queda do Muro. Não. Aquilo foi apenas uma breve visão, uma primeira impressão débil das terríveis conseqüências ao final da década de 80, mais precisamente 1989. George Orwell soube nos dizer muito melhor em seu livro “Nineteen Eighty-Four”, escrito em 1949, o que viria acontecer. E ainda, como esquecer de que 17 milhões de alemães viveram uma outra realidade por 40 anos atrás do muro?

Em todas essas correntes podemos observar a dessimetria manifestada entre Leste e Oeste em termos de organização. Adeptas da violência, essas organizações compartilham em maior ou menor grau, através do Continente, do mesmo desdém pelas eleições e a polítika institucional, as mesmas tendências racistas e o mesmo culto ao homem forte. Na Polônia, algumas centenas de ativistas se reúnem regularmente  em várias cidades, cujas paredes são cobertas com pichações fascistas e antissemitas. As juventudes Polonesas, afiliadas até 2006 à LPR, são famosas por sua violência. Assim como a repúblika Tcheka. Na Hungria, o movimento Skinhead contava (na dékada de 90), com mais de 4000 integrantes. Na Rússia este último grupo conta hoje com mais de 50.000 manifestantes e/ou simpatizantes. Se formos enumerar, eu não terminaria este texto. Teríamos de passar por todo o continente, e juntar todos os grupos violentos aos demais, como por exemplo, os grupos adeptos ultraortodoxos  de Alexander Dugin ou os militantes xenófabos do Movimento Contra a Imigração Ilegal (MITI). 

 

 Hoje são fatos, e a direita radikaliza na Europa. Não há dúvidas sobre isso. É só olhar para a Historia do século XX e constatar que a fecundação in vitro foram e são o general Franco (1939-1975) e Benito Mussolini(1922-1943). E reparem; a Espanha e Itália têm hoje, a direita fascista no poder. Na Espanha, a transição demokrátika deixou espaços reduzidos para os partidos que reivindicam sua filiação ao franquismo. Também é fato, eles conservaram uma influência nas forças de segurança, ensaiando até mesmo uma tentativa de golpe de Estado militar em 23 de fevereiro de 1981. E, liderada por Manuel Fraga, antigo ministro do turismo e da informação de Franco, a AP ( Alianza Popular) logo se tornou a principal força de oposição do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), no poder de 1982 a 1996. A ideologia franquista foi revitalizada.

 

Gritante

 Na Itália, uma das conseqüências mais notáveis da “anomalia” berlusconiana concretizou-se na afirmação de duas correntes aparentemente bem diferentes: a “pós-fascista”, na pele do atual presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, e a “separatista”, da Liga do Norte, liderada por Umberto Bossi. Claro, não há coincidência! Afinal, o partido que surgiu das cinzas do fascismo do pós-guerra_ o Movimento Social Italiano (MSI) _ escapou do gueto no qual a Primeira Repúlika  o confinou, no momento em que Silvio Berlusconi baixou no Terreiro. E esse longo namoro entre esses dois partidos teve seu noivado com a fundação do Povo da Liberdade (PDL), único partido de centro-direita.

Dentro dessa geléia, alguns observadores insistem na”sinceridade” da guinada demokrática de Fini (que colidiu com a figura do poderoso chefão), que vai desde a troca de pele, abandonando suas antigas roupas ideológicas, em particular os preconceitos antejudeus e próarabes, típicos da direita da península, até o doloroso divórcio da mulher exaltada que ele havia encontrado no tempo da sua militância fascista. Mutação tátika, isso sim!

O que se observa é que em 20anos, a Confindustria , a organização patronal italiana, alternou de maneira oportunista

o seu apoio entre o “moderado” Romano Prodi ( que ela prefere ) e o “extremista” Berlusconi __ que ela suporta kada vez menos __ . E, lamentavelmente, considerando a incapacidade de um plano de ação da esquerda em oferecer alternativas dentro do quadro neoliberal, parece que, daqui para frente, as escolhas serão feitas pelas mãos da direita.

Por isso devemos estar atentos aos movimentos estudantis da França. Talvez apenas a pena da História seja a únika saída. Liberté et Fraternité, citoyen!!



Escrito por Paulo de Tharso às 19h26
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